A fome emocional, um conceito muito em voga nos últimos tempos, é desencadeada por um desejo ou uma necessidade de comer, difícil de controlar. Habitualmente, surge repentinamente. É acompanhada pela sensação de que tem de ser satisfeita imediatamente e, normalmente, é saciada apenas através da ingestão de alimentos calóricos, ricos em açúcar e/ou gordura. Além disso, desencadeia um comportamento de ingestão alimentar que se mantém mesmo após a sensação de se estar cheio.

Por sua vez, a fome fisiológica (não emocional) ocorre gradualmente, pode ser satisfeita por uma grande variedade de alimentos e desencadeia um comportamento alimentar que cessa com a sensação de se estar saciado. A fome emocional pode ser desencadeada, consciente ou inconscientemente, como um meio de evitar emoções dolorosas e/ou de obter um refúgio, um calmante, um sedativo, um consolo e/ou ser uma forma de obter conforto. Permite ainda descarregar tensão, raiva ou frustração.

Esta perturbação conduz a um comportamento alimentar disfuncional que está habitualmente associado a outros problemas psicológicos, como é o caso de perturbações do comportamento alimentar, como é o caso da perturbação de ingestão alimentar compulsiva, mas também de situações de depressão, perturbações de ansiedade, problemas de baixa autoestima e de insatisfação corporal, entre outros.

Estratégias para combater a fome emocional

Estes são os comportamentos que deve adotar rapidamente:

- Procure perceber o que desencadeia a sua fome emocional (o stresse e a ansiedade, por exemplo). Este é o primeiro passo para compreender o problema e encontrar formas mais adequadas de lidar com as dificuldades emocionais que estão na sua origem

- Quando antecipar ou estiver perante a iminência de um episódio de fome emocional, procure desviar a sua mente dos pensamentos acerca da comida. Ocupe-se com alguma tarefa ou atividade que lhe permita manter-se afastado da comida, como por exemplo dar um passeio, telefonar a um amigo, ler um livro… Ideias não faltam!

- Desenvolva uma rede social de apoio para ter com quem falar e/ou desabafar nos momentos críticos. Inscrever-se num clube ou associação pode ajudar a fazer novas amizades

- Evite ir às compras quando se sente mais irritado, stressado ou deprimido, para prevenir que estas emoções desencadeiem a compra de alimentos de consolo

- Evite fazer dietas restritivas, pois estas conduzem a défices calóricos que desencadeiam frequentemente uma maior responsividade emocional e um maior desejo por alimentos calóricos

Veja na página seguinte: Quando procurar ajuda especializada

Outras estratégias a implementar no seu dia a dia:

- Procure dormir e descansar o suficiente, pois o cansaço e a fadiga podem dificultar o controlo dos comportamentos alimentares disfuncionais e conduzi-lo a comer mais para obter energia

- Pratique exercício físico regularmente e desfrute dos seus benefícios físicos e psicológicos

- Pratique exercícios de relaxamento. A meditação e o yoga podem ajudá-lo/a a gerir melhor o stresse e as preocupações da vida diária

Quando procurar ajuda especializada

Se já fez tentativas anteriores para travar a fome emocional e estas não surtiram efeito, estando este problema a interferir com o seu funcionamento e a sua vida diária, recomendo o seu acompanhamento em contexto de consulta de psicologia. Tenha, contudo atenção. Quando a fome emocional se transforma numa perturbação do comportamento alimentar (como uma compulsão alimentar, por exemplo) é indispensável o tratamento psicoterapêutico para prevenir o seu agravamento e o desenvolvimento de outros problemas psicológicos futuros.

Texto: Cláudia Madeira Pereira (psicóloga clínica e da saúde, doutorada em psicologia clínica, no Consultório de Psicologia Dra. Cláudia Madeira Pereira) com edição (internet) de Luis Batista Gonçalves

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