O presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Geral e Familiar (MGF) da Ordem dos Médicos afirmou hoje que a vinda de 42 médicos colombianos para Portugal para trabalhar em dezoito centros de saúde “desacredita” esta especialidade.

“A vinda dos médicos colombianos só faz é desacreditar a medicina geral familiar portuguesa, que é muito conceituada”, disse à agência Lusa José Silva Henriques, frisando que estes clínicos “não são médicos de família”.

Silva Henriques acrescentou ainda: “um médico de família é um médico especializado e, portanto, eles são médicos indiferenciados que, por uma questão política que nós achamos incorreta, vieram para Portugal com um contrato, mas não são médicos de família”.

“Não me passa pela cabeça ir buscar um médico indiferenciado para pôr num serviço de medicina interna de um hospital”, exemplificou.

Para o responsável, a vinda destes médicos colombianos para colmatar a falta de clínicos nos centros de saúde “é um remendo que não serve” para atender às necessidades das populações.

São medidas que “até se podiam chamar de terceiro mundista” e sem ”uma perspetiva de visão de futuro”, sublinhou.

Para Silva Henriques, “o Governo devia ter a preocupação de colocar os jovens especialistas e dar-lhes incentivos para se deslocarem”, assim como dar incentivos aos médicos que se reformaram para regressarem ao Serviço Nacional de Saúde.

“O chavão de que há falta de médicos em Portugal não é bem assim. Eles estão é mal distribuídos, mas para isso é necessário dar condições aos médicos”, defendeu.

O médico defendeu ainda que deviam ser dadas “condições” e “incentivos” às Unidades de Saúde familiar e às Unidades de Cuidados Personalizados para aceitarem mais utentes nas suas listas.

Esta situação, segundo Silva Henriques, coloca ainda um “problema comunicacional” entre o médico e o utente devido à barreira da língua. “É fundamental para uma boa consulta, um bom entendimento e isso não se verifica”.

Quarenta e dois médicos colombianos começam esta semana a trabalhar em 18 centros de saúde de Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve, as áreas com “maior carência” de médicos de família.

Dados do Ministério da Saúde indicam que a maioria dos médicos (29) fica a exercer nos centros de saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo: quatro em Algueirão/Rio de Mouro, três em Odivelas, três em Almada, três em Arco Ribeirinho, três em Seixal/Sesimbra, três em Setúbal/Palmela e três na Amadora.

Dois médicos exercerão atividade em centros de saúde de Sintra, um em Cascais, um em Lisboa Oriental, um em Queluz/Cacém, outro em Lisboa Norte e outro em Oeiras.

Os restantes médicos (13) ficam no Algarve: cinco em Lagos, três em Portimão, dois em Loulé, dois em Albufeira e um em Silves.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, adiantou à Lusa que se trata de “um primeiro grupo de 42 médicos colombianos que foram selecionados e cuja licenciatura foi reconhecida por uma faculdade de medicina portuguesa e a inscrição aceite na Ordem dos Médicos, num percurso de seleção e verificação das suas capacidades técnicas que foi muito exigente”.

18 de abril de 2011

Fonte: LUSA/SAPO

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