O número de novos casos de infeção VIH está a aumentar entre os homens portugueses, colocando Portugal em terceiro lugar a nível europeu. Ontem foi inaugurado em Lisboa um espaço que realiza testes gratuitos de despiste rápido.

Perto do Príncipe Real, a loja do costureiro José Carlos, que faleceu vítima de VIH/SIDA, transformou-se no Check Point Lx, um espaço onde se realizam testes rápidos, anónimos e gratuitos de HIV a homens que têm sexo com homens (HSH).

Ali, os utentes podem ter aconselhamento psicológico e ser encaminhados para o Serviço Nacional de Saúde. Quem os recebe não discrimina quem tem opções sexuais diferentes da maioria ou quem está doente, porque quem atende também é homossexual ou está infetado.

“Este é um espaço da responsabilidade de uma organização não governamental, envolvendo pessoas que, ou são portadoras de VIH ou são homens que fazem sexo com homens, ou seja, há um acompanhamento feito entre pares com apoio de profissionais de saúde. Este é um passo de gigante porque a sociedade foi capaz de se organizar e ir buscar os apoios que necessitava para dar uma resposta mais sólida”, saudou a ministra da saúde, Ana Jorge, que presidiu à inauguração do Check Point Lx.

O Check Point Lx pretende ser uma ajuda para tentar inverter uma tendência que se começou a revelar com o virar do século: “Em 2000, começou a aumentar o número de casos de infeção entre HSH”, resumiu Luís Mendão, presidente do Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de VIH/Sida (GAT), organismo responsável pelo gabinete hoje inaugurado.

“Neste momento, Portugal é o terceiro país dos 27 da Europa com o maior número de novos casos diagnosticados entre os HSH”, lembrou Luís Mendão em declarações à Lusa, acrescentando que este aumento começou a notar-se mais a partir de 2005. Os dados mais recentes dizem respeito a 2008, ano em que se registaram 365 novos casos em Portugal.

“À nossa frente só temos a Inglaterra e a Holanda”, lamentou o presidente do GAT, sublinhando que “se a infeção for diagnosticada cedo e a pessoa se tratar há uma enorme diminuição das transmissões do VIH”.

No entanto, a maioria não realiza testes de despistagem, segundo um estudo apresentado pela médica Maria José Campos. Um inquérito online realizado no ano passado a 180 mil homens em toda a Europa, dos quais cinco mil viviam em Portugal, revelou que apenas 45,9 por cento dos portugueses tinha realizado um teste VIH no último ano. "São números preocupantes", desabafou em declarações à Lusa Maria José Campos.

O coordenador Nacional VIH-SIDA, Henrique Barros, destacou o papel do centro Check Point Lx, lembrando que esta população dos HSH “viveu sempre muito escondida e oculta em Portugal”.

“Estamos a trazê-la à luz do dia, combatendo discriminações e estigmas e garantindo que tem acesso em tempo à prevenção e ao diagnóstico para evitar que haja um aumento incontrolável da infeção”, defendeu em declarações à Lusa, aplaudindo o trabalho que agora começa a ser realizado pelas equipas do Chek Point Lx.

19 de abril de 2011

Fonte: LUSA/SAPO

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