“Esses carregamentos estão suspensos depois de uma reunião entre o Presidente da África do Sul e a presidente da comissão Europeia, que não estava a par desse acordo, e reverteu-o imediatamente”, disse Strive Masiyiwa, durante a conferência de imprensa semanal do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC).

Em causa está o envio de vacinas produzidas pela Aspen na África do Sul, para a Europa, o que contraria todas as declarações dos responsáveis políticos europeus e africanos, que têm defendido o aumento da cobertura no continente africano, muito atrás do europeu na taxa de vacinação dos seus cidadãos.

“Von der Leyen reuniu-se em Berlim com Cyril Ramaphosa [Presidente da África do Sul] e falaram sobre as vacinas; as que foram enviadas serão devolvidas este mês, e os europeus garantiram que iam dar 200 milhões de doses antes do final de setembro”, disse Strive Masiyiwa, defendendo que as relações entre os dois continentes são boas e que o problema surgiu devido ao modo de operar da fábrica sul-africana.

Em vez de um contrato de licenciamento da produção de vacinas pela Johnson & Johnson, a fábrica opera mediante encomendas, o que faz com que não tenha controlo relativamente a quem faz as encomendas e para onde as exporta, disse Masiyiwa, acrescentando que esse problema foi “corrigido de uma maneira positiva” e que o modelo de funcionamento da fábrica sul-africana garante agora que “as vacinas produzidas em África serão distribuídas em África”.

Questionado pelos jornalistas sobre a quantidade de vacinas que África perdeu, o enviado especial da União Africana respondeu: “Eles devolveram o que estava no armazém, são menos de 20 milhões de doses, não temos o número certo ainda, mas o gesto de boa vontade está lá e serão devolvidas a África em setembro”.

Os países africanos vacinaram menos de 3% da sua população de 1,3 mil milhões de habitantes, o que contrasta com mais de 50% da população europeia já vacinada.

O diretor do Africa CDC, John Nkengasong, disse hoje que o número de novos casos no continente na última semana teve um decréscimo de 12%.

“Entre 23 e 29 de agosto, registámos 211 mil novos casos, o que representa um decréscimo de 12% face à semana anterior”, disse o responsável na conferência de imprensa semanal sobre a evolução da pandemia de covid-19 no continente africano.

No total, já houve 7,8 milhões de casos, dos quais 6,9 milhões recuperaram totalmente, havendo maior preocupação com a África Austral, que é responsável por 43% do total de novos casos.

“Na última semana, tivemos 5.345 mortes no continente, o que representa uma quebra de 4% face ao número da semana anterior”, acrescentou o responsável, vincando que relativamente ao número de testes, um instrumento essencial para aferir a evolução da pandemia, houve uma redução.

“Fizemos no total até agora 66 milhões de testes no continente, dos quais 1,5 milhões foram na semana passada, e isso representa uma descida de 3% face ao número de testes realizado na semana anterior”, disse John Nkengasong.

África registou 907 mortes associadas à covid-19 nas últimas 24 horas, registo que eleva o total de óbitos desde o início da pandemia para 197.150, e 30.118 novos infetados, de acordo com os dados oficiais mais recentes.

Segundo o África CDC, o número total de casos no continente é de 7.816.222 e o de recuperados é de 6.983.155, mais 41.340 nas últimas 24 horas.

O primeiro caso de covid-19 em África surgiu no Egito, em 14 de fevereiro de 2020, e a Nigéria foi o primeiro país da África subsaariana a registar casos de infeção, em 28 de fevereiro.

A covid-19 provocou pelo menos 4.518.163 mortes em todo o mundo, entre mais de 217,63 milhões de infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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