Junto ao edifício, que hoje surgiu com uma corrente na porta e com fitas amarelas onde se lia “atenção gás”, mas que abriu normalmente, juntaram-se utentes, sobretudo idosos, e ouviram-se críticas face a uma situação que dizem arrastar-se há pelo menos dois anos.

“As pessoas estão sem médico de família há um ano, outros há dois anos”, disse à agência Lusa Rui Alves, que organizou o protesto, depois de a sua mãe ter tentado marcar na segunda-feira uma consulta, sem sucesso, por não ter médico de família.

Rui Alves adiantou que o protesto “é para dar voz às pessoas que não a têm e que já desistiram de lutar porque acham que não vale a pena”, considerando que “o acesso à assistência médica é um direito fundamental”.

Para o morador na freguesia, a consulta no centro de saúde Arnaldo Sampaio, em Marrazes, não é alternativa, porque “dista 20 quilómetros da Maceira”, sendo que muitas das pessoas não têm forma de lá chegar.

“Se temos um posto médico não é para fazer de faz de conta”, salientou.

Manuel Vaz, de 86 anos, afirmou à Lusa que por várias vezes se deslocou à extensão de saúde, mas não tem tido consulta por não ter médico, adiantando que “até para passarem as receitas” já teve de “esperar mês e meio”.

“Mandam-me para Marrazes, mas não tenho dinheiro, nem carro para ir”, desabafou, referindo que, devido a esta situação, tem recorrido ao hospital de Leiria.

O mesmo faz José Tojal, de 65 anos: “Chamo a ambulância e vou para o hospital”, afiançou.

O presidente da junta, Vítor Santos, que também esteve na concentração, afirmou que a população, de cerca de 10 mil habitantes, “luta há dois anos” por mais médicos de família, tendo feito abaixo-assinados.

Lamentando que “o Estado, através deste Governo, não cumpra uma das suas obrigações, que é assegurar o acesso aos cuidados primários de saúde”, Vítor Santos considerou que a consulta no centro de saúde Arnaldo Sampaio nem sempre é solução.

“Há pessoas que nem sequer têm meios de transporte, nem rendimentos que lhes permita pagar um táxi”, declarou o presidente da junta.

Numa informação enviada na terça-feira à agência Lusa, o Agrupamento de Centros de Saúde Pinhal Litoral deu conta de que a extensão de saúde tem 9.771 utentes inscritos e quatro médicos.

O agrupamento esclareceu que existem 3.000 utentes sem médico de família, mas salientou que estes “não estão desprotegidos”, pois “têm como alternativas a consulta de recurso e a consulta aberta no centro de saúde Arnaldo Sampaio”.

A mesma entidade acrescentou que faltam dois médicos na extensão, admitindo a existência de “alguma dificuldade, em termos de concurso, na fixação de médicos nesta extensão de saúde”.

“Os dois médicos aí colocados recentemente saíram para outras unidades”, especificou o agrupamento de centros de saúde.

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