Estas medidas foram anunciadas pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, durante a apresentação do relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS) “Portugal – Doenças Cérebro-Cardiovasculares em Números 2015”, que demonstra o cumprimento das metas definidas pelo Programa Nacional.

Fernando Araújo destacou que a mortalidade por estas doenças diminuiu de “forma significativa”, embora continuem a ser as que mais matam.

Por isso, o secretário de Estado defende uma “aposta na prevenção da doença e promoção da saúde, em maior articulação com os cuidados de saúde primários e familiares”.

Nesse âmbito, anunciou um projeto-piloto que terá início no primeiro semestre deste ano, no Hospital de Santa Marta e num ACES (Agrupamento de Centros de Saúde), que deverá ser “o que melhor esteja adequado e seja de referência desse hospital”, e que fará eletrocardiogramas e Monitorização Ambulatória da Pressão Arterial (MAPA), para a hipertensão.

“Estes exames têm que ter apoio de cardiologia, para orientar o doente para essa consulta”, afirmou o governante, sublinhando que esta medida “vai reduzir a despesa em exame de saúde e tratamento hospitalar”.

Desta forma, será possível fazer um eletrocardiograma de forma agendada no centro de saúde e a leitura e a consulta no hospital, no âmbito da cardiologia, explicou.

A situação portuguesa no que se refere às doenças cerebrovasculares é pior, com Portugal a apresentar uma mortalidade superior à média europeia (inversamente ao que se passa com a mortalidade por doença cardíaca).

“Temos que intervir na prevenção e, quando acontece, precisamos de meios para colocar rapidamente os doentes nos hospitais”, afirmou Fernando Araújo.

O responsável sublinha que o problema se encontra mais do lado do doente do que do sistema de saúde.

O secretário de Estado garante que o número de unidades de AVC “é suficiente”, mas reconhece que nos últimos anos houve uma “redução de camas”, que é necessário reverter.

“Vamos reforçar as unidades de AVC, para que a resposta seja efetiva”, afirmou.

Por outro lado, ao nível da atuação dos doentes perante sintomas de AVC, de uma maneira geral, não tem sido o adequado e isso teve reflexos no ano passado ao nível da resposta.

“O INEM reduziu o seu impacto [na resposta a episódios de AVC] no ano passado. Temos que voltar a apostar no transporte pelo INEM”, afirmou, esclarecendo que esta “diminuição” se deveu à falta de informação e formação da população.

O responsável considerou que é preciso informação de que em caso de sintomas se deve ligar para o 112 e lembrou que o país tem “excelentes hospitais, dos mais diferenciados, mas que as pessoas têm que chegar lá a tempo”.

“Da parte do INEM não há indicadores de falta de resposta. São transportados adequadamente. Quando verificamos no Hospital, percebemos que muitas pessoas vão pelos meios próprios”, disse.

A mesma ideia foi partilhada pelo coordenador do programa nacional das doenças cérebro-cardiovasculares, Rui Cruz Ferreira, para quem “a única maneira de garantir que os tempos vão ser cumpridos é através do INEM”.

“O intervalo de tempo para a terapêutica ser mais eficaz é muito reduzido (entre 3 e 6 horas). Muitas vezes as pessoas têm uma atuação passiva face aos sintomas: esperam a ver se passa, ficam ao telefone com alguém, tentam ter recursos que não são os mais adequados”, contou.

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