“Costumo dizer que o doente assim tem o seu comando da televisão e o cadeirão onde se senta todos os dias. O hospital é um meio agressivo, com regras, e onde convive muita gente e, com isso, vem um outro problema, as infeções hospitalares”, explicou à Lusa Teresa Rodrigues, coordenadora da unidade, hoje visitada pela ministra da Saúde.

A responsável considera que a “diminuição drástica” das infeções hospitalares e das transmissões de bactérias – “inevitáveis no meio hospitalar” e que com o doente em casa não acontecem – é “a parte clínica mais importante” da hospitalização domiciliária.

Além das vantagens para os doentes, que são acompanhados em casa, também se libertam camas para doentes que podem não preencher os critérios necessários para sair do hospital e serem seguidos por estas equipas no domicílio.

Num dia em que se assinala o Dia Internacional do Enfermeiro, Teresa Rodrigues recebeu a titular da pasta da Saúde, que participou na reunião que a equipa da hospitalização domiciliária faz todas as manhãs, para organizar as visitas aos doentes.

No total, a equipa de 10 pessoas – cinco enfermeiros, dois médicos, um assistente operacional, um assistente técnico e um assistente social – tem capacidade para acompanhar diariamente até oito pessoas, com visitas diárias a casa dos doentes.

Até hoje, esta unidade fez quase 6.000 visitas, percorrendo mais de 40.000 quilómetros.

Mas nem todos os doentes podem estar neste regime: “São doentes com alguma estabilidade clínica, mas doentes agudos, com pneumonias, infeções do trato urinário, alguns doentes da cirurgia que precisam de pensos e antibióticos endovenosos”, explicou.

“Neste momento temos também uma doente da obstetrícia que teve uma complicação pós cesariana e precisa de fazer antibiótico prolongadamente”, acrescentou, lembrando: “Não podem ser doentes críticos que nós vejamos que estão em risco de ser admitidos nos cuidados intensivos”.

Segundo os dados facultados à Lusa, nos dois anos e quatro meses de funcionamento, a Unidade de Hospitalização Domiciliária do Hospital de Santa Maria avaliou 626 doentes. Destes, 349 foram admitidos neste regime: mais de metade (236) eram do internamento, 79 da urgência, 18 tiveram admissão direta, 15 da consulta externa e um do hospital de dia.

Os dados indicam que acompanharam até hoje mais mulheres (186) do que homens (163) e que a média de idades de doentes admitidos é 69 anos.

A maioria dos doentes tinha como diagnóstico as infeções do trato urinário (149), mas também foram acompanhados em casa por estas equipas doentes com infeções bacterianas, insuficiência cardíaca descompensada ou pneumonia.

Em declarações à Lusa, a coordenadora disse que a intenção é crescer – a atual capacidade é de 10 camas - e conseguir abrir duas ou três camas na área dos cuidados paliativos.

“Os doentes oncológicos são imensos e precisam cada vez mais de apoio, porque vivem também cada vez mais. São doentes não muito idosos e são muito doentes, com um sofrimento enorme e que beneficiariam muito em ficar no conforto de sua casa, com a sua família, desde que a família aceite”, explicou a responsável.

Teresa Rodrigues diz que gostaria que a unidade continuasse a crescer, chegando ao final do ano com a capacidade duplicada: “Gostaria muito de chegar o fim do ano com [o equivalente a] uma enfermaria de medicina, que são 20 a 22 camas”.

Quanto aos recursos necessários, confessa: “Tenho tido relutância em pedir elementos internos porque sei que as enfermaria estão depenadas também e com muitas dificuldades”.

“Não é aliciante trabalhar num hospital púbico e as pessoas têm de estar extremamente motivadas. Vou tentar, pelo menos por agora terei de usar a prata da casa”, disse.

A proposta de Orçamento do Estado para 2022 que está em discussão na especialidade prevê a expansão da hospitalização domiciliária a todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde, alargando esta resposta a outras patologias (do foro oncológico e pediátricas) e reforçando equipas.

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