4 de junho de 2014 - 13h05
Susana Ferreira, 16 anos, nem sabia o que fazer com tanto ar quando conseguiu respirar normalmente após o transplante pulmonar a que se submeteu, há três anos, no Hospital de Santa Marta, que já transplantou 100 pulmões.
À margem da cerimónia que assinalou este número histórico – que em rigor são 103 transplantes pulmonares – Susana Ferreira recordou que, por causa de uma fibrose quística, os seus pulmões foram ficando estragados, de tal forma que já nem aos tratamentos reagiam.
Os dias de Susana passaram a ter a companhia permanente de uma bilha de oxigénio e quando a doença agravou deixou de falar, sendo obrigada a comunicar através de mensagens de telemóvel.
O transplante realizou-se a 22 de janeiro de 2012 e surpreendeu-a com a quantidade de ar que permitiu chegar aos pulmões.
“Conseguir correr é cá uma coisa”, disse, considerando que os cuidados que tem de ter, a nível da alimentação e dos ambientes fechados, são “restrições que valem a pena”.
Há dez anos foi Ana Mafalda dos Santos que, também por causa de uma fibrose quística, recebeu um transplante pulmonar no Hospital de Santa Marta, pelas mãos de Henrique Vaz Velho – pioneiro do transplante pulmonar em Portugal.
Hoje, com 39 anos, garante que a sua vida mudou desde que recebeu um pulmão novo, pois antes disso as dificuldades respiratórias limitavam-lhe as atividades.
Foi após uma crise grave que acordou já transplantada e pode, finalmente, respirar sem bomba de oxigénio.
Para José Fragata, coordenador do Programa de Transplantação e cirurgião cardiotorácico no Hospital de Santa Marta, os doentes como Susana e Ana são “os heróis desta comemoração”.
“Com eles aprendi lições de bravura e de esperança”, adiantou o médico, durante a cerimónia comemorativa.
Este serviço tem atualmente 26 doentes em lista de espera e conta com uma média de 246 dias de espera para o transplante.

Com um custo de 80 mil euros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) por doente transplantado, este é “o pior investimento de retorno em valor para a saúde”, disse José Fragata.
No entanto, sublinhou, não se pode esquecer que “estes doentes ganharam o direito inegável de respeitar e ter qualidade de vida”, disse.
Dos doentes transplantados entre 2001 e 2014, dois terços estão vivos.
Para Hélder Trindade, presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), o segredo do sucesso do programa de transplantação em Santa Marta deveu-se ao “espírito de equipa multidisciplinar”.
Sobre a possibilidade de Santa Marta atingir a autossuficiência em matéria de transplante de órgãos – entre 20 a 25 intervenções em Portugal – Hélder Trindade disse que tal demonstra que um centro é suficiente.
Presente na cerimónia, o ministro da Saúde enalteceu o facto de Santa Marta estar já a preparar novas equipas de profissionais para assegurarem este trabalho no futuro.
O ministro quis deixar o seu compromisso de que o Governo vai continuar a apoiar a transplantação, frisando que, mesmo em ambiente de crise, esta prática aumentou em Portugal.
Questionado sobre o impacto da redução dos incentivos à transplantação, que terá contribuído para algum desânimo entre os profissionais, Paulo Macedo disse que os valores antigos não vão ser repostos, mas recordou que este governo aumentou o apoio às instituições que tratam os potenciais dadores de órgãos.
Paulo Macedo deixou, no entanto, a advertência: “Nenhum médico deixa de fazer um transplante por causa do valor dos incentivos”.
Por Lusa

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