“Quanto ao preservativo, é um problema que já não devia ser problema. Julgo mesmo que, por vezes, em determinadas circunstâncias, o preservativo é moralmente obrigatório quando, por exemplo, há o perigo de contaminação por causa da SIDA. É necessário preservar em primeiro lugar a vida”, sustentou, em declarações à agência Lusa, o padre Anselmo Borges.

O aborto é “um crime”, mas a contraceção pode ser encarada, excecionalmente, como um mal menor, afirmou na quinta-feira o papa Francisco, quando questionado sobre os meios de combate à epidemia do vírus Zika, associado a malformações em fetos.

“O aborto não é um mal menor, é um crime”, enquanto “evitar uma gravidez não é um mal absoluto”, disse Francisco, em declarações aos jornalistas durante a viagem de regresso ao Vaticano após a visita papal ao México, numa referência aos métodos contracetivos.

Anselmo Borges frisou que, apesar da admiração e estima que nutre pelo papa Francisco, este não “usou de uma boa linguagem” quando se referiu à contraceção como não sendo um mal absoluto.

Papa vê contraceção como "mal menor"

“Tenho a máxima estima pelo papa Francisco mas, a um dado momento, ele diz que a contraceção não é um mal absoluto, como quem diz é um mal menor, penso que não uma boa linguagem”, sublinhou o professor universitário.

Para o teólogo, a igreja tem de dar às pessoas uma “formação quanto à dimensão fundamental da sexualidade, no sentido da responsabilidade e dignidade da sexualidade humana”.

“A igreja tem de estar atenta para não pensar que a natureza humana é fixa e imóvel. A natureza humana, do ponto de vista sexualidade, é histórica e, do ponto de vista racional, pode e deve intervir responsavelmente sobre a natureza. Por isso, não deve haver esta luta entre aspas da igreja contra os métodos contracetivos ditos não naturais”, sublinhou.

Entretanto, também o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, Manuel Barbosa, sublinhou à Lusa que os bispos portugueses, que se encontram em retiro, assumem as recentes palavras do papa quanto à posição da igreja sobre os meios de combate à epidemia do vírus Zika.

“Não se trata de ter uma posição: o papa disse e nós, naturalmente, assumimos, por ser uma situação extraordinária, como ele referiu, um mal menor perante a situação” do vírus Zika, disse Manuel Barbosa.

Para este padre, o papa Francisco “reafirmou os princípios da igreja”, sendo que o uso de contraceção “pode ser um mal menor, nada comparável, como disse, com o aborto, que é um crime”.

“Não se pode confundir o mal que consiste em evitar uma gravidez com o aborto. O aborto não é um problema teológico. É um problema humano, médico. Matamos uma pessoa para salvar outra. Este é um mal em si, não é um mal religioso, mas sim um mal humano”, argumentou o papa Francisco aos jornalistas.

Ainda a propósito do vírus Zika, o papa exortou a comunidade médica “a fazer tudo o que é possível para encontrar uma vacina”.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê uma propagação “explosiva” do Zika no continente americano, com entre três e quatro milhões de casos este ano. No Brasil, há já 1,5 milhões de casos registados.

A OMS recomendou hoje a todos que regressem de zonas onde é transmitido o vírus Zika a adotarem “práticas sexuais seguras ou considerar a abstinência por um período de, pelo menos, quatro semanas”.

A recomendação tem por base o facto de a maioria das infeções por Zika serem assintomáticas e de ser possível a transmissão sexual do vírus.

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