É vista como mais ofensiva, mais difícil de dissimular e, portanto, com maior impacto pessoal, familiar, profissional e social. É também uma condição muito escondida, não só porque os próprios o ocultam, mas também por que há a sensação - errada - de se tratar de uma situação incurável (e portanto não valendo a pena o sacrifício de ter que revelar a outrem esse problema). Mas vale a pena porque existe tratamento! 

Incidência

Efetivamente a incontinência fecal é muito mais frequente do que habitualmente reconhecida. Estima-se que em Portugal possa haver até 100 000 casos, dos quais apenas uma ínfima percentagem seja acompanhada por um médico ou sujeita a algum tipo de tratamento. É um problema que afeta mais as mulheres do que os homens. Calcula-se que até 50% das doentes seniores institucionalizadas sofrem dessa condição. 

Impacto na qualidade de vida

Recentemente uma doente que sofre de incontinência fecal contava-me que o que mais lhe custava era não conseguir conter os gases de modo adequado. Por essa e outras razões, ficou mais reservada e afastou-se gradualmente do marido, o que veio a desencadear uma crise no casal que culminou numa depressão, que muito a custo lá conseguiu ultrapassar. 

É fácil perceber como a incontinência fecal, englobando o controle eficaz de gases, líquidos e sólidos pelo reto e ânus, pode ser tão traumatizante e causador de tanto sofrimento. 

Diagnóstico e tratamento

Embora o diagnóstico pareça quase óbvio, a  sua caracterização detalhada é importante pois permite definir grupos diferentes de problemas que terão um tratamento individualizado. 

As causas mais frequentes estão relacionadas com traumatismos do parto e lesão neurológica ou muscular por lesão direta. Quando esta é a causa da incontinência fecal, a reconstrução muscular (esfíncter anal) tem bons resultados. Em muitos casos a causa é mista (muscular traumática e neurológica, por exemplo) e, nestas situações, têm-se conseguido excelentes resultados de tratamento com a realização de um uma técnica recentemente introduzida de estimulação elétrica dos nervos do pavimento pélvico. Frequentemente técnicas de treino do pavimento pélvico com biofeedback também têm resultados positivos. 

Em suma, a incontinência fecal é um grave e significativo problema, com tendência a tornar-se mais frequente, e que em muitos casos tem possibilidade de melhoria com o tratamento e aconselhamento adequados. Perante sinais de suspeita devem ser quebrados os receios e vergonhas procurando ajuda médica.

Um artigo de Pedro Moniz Pereira, cirurgião geral no Hospital CUF Tejo.

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