Os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) poderiam ser positivos para as pessoas se fossem produzidos aqueles que são úteis e se os seus efeitos na saúde fossem "seriamente" testados, defendeu hoje o cientista Pierre-Henry Gouyon.

Em declarações à agência Lusa, o professor do Museu Nacional de História Natural de Paris e das Escolas Superiores de Agronomia (Écoles Normales Supérieures - AGRO Paris) e de Ciências Políticas (Sciences PO Paris) disse que atualmente, com o sistema de patentes, "a diversidade genética das plantas cultivadas torna-se propriedade de algumas empresas a nível mundial".

E a diversidade das plantas cultivadas "é absolutamente essencial para o futuro da humanidade, é dessa diversidade que depende a capacidade de continuar a fazer agricultura", mas "estamos a matá-la com as patentes", alertou Pierre-Henry Gouyon.

Para o cientista é necessário que os genomas das plantas não sejam propriedade de qualquer empresa ou entidade. Aliás, se fossem suprimidas as patentes, as empresas paravam de produzir OGM, defendeu.

Aqueles organismos poderiam "tornar-se uma coisa positiva se fossem livres de direitos de patente, se trabalhássemos para fabricar OGM que fossem úteis e testássemos seriamente os seus efeitos na saúde", afirmou Pierre-Henry Gouyon.

Para já, "os testes feitos são muito ligeiros": "Sabemos que se comermos um OGM não morremos de seguida", mas "não sabemos o que acontece na geração seguinte", disse dando o exemplo de tóxicos que não têm efeitos no indivíduo, mas sim nos seus filhos.

Também em termos ambientais, os efeitos dos OGM estão pouco estudados, afirmou o professor, apontando como a consequência "mais grave" a perda de diversidade das sementes cultivadas porque "é todo o futuro da nossa alimentação que está em jogo".

No plano ambiental, as consequências não são das OGM diretamente, mas "as OGM tornam possível a utilização massiva de pesticidas". Aliás, para o especialista, esta é uma forma de agricultura que não é durável, não respeita o solo ou o ambiente.

Várias entidades e organizações estão a aproveitar o Ano Internacional da Biodiversidade para sensibilizar as pessoas para a necessidade de proteger as espécies.

Na opinião de Pierre-Henry Gouyon, os consumidores não estão informados acerca da biodiversidade, mas também não estão acerca dos OGM e das suas consequências. "Fala-se mais da toxicidade para as pessoas e pouco do problema da apropriação da diversidade das plantas, que é mais grave".

Pierre-Henry Gouyon encontra-se em Lisboa para participar no ciclo de conferências Biodiversidade e Sociedade, organizado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. A sessão que vai decorrer hoje é sobre o tema Biodiversidade, Evolução e OGM.

Fonte: Diário Digital / Lusa

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