O especialista falava à Lusa a propósito da primeira edição da conferência internacional "Woman XXI", que decorre entre sexta-feira e sábado, na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, na qual participa numa sessão dedicada à mulher e à saúde, com o tema "Cancro no século XXI: Mitos e factos".

Segundo o médico, a homeopatia, o eletrobiomagnetismo e as dietas alcalinas são exemplos de medicinas alternativas, que se assumem como terapêuticas substitutas da medicina convencional, mas que se podem revelar "problemáticas", chegando, em alguns casos, a atrasar o tratamento do doente. "Nos Estados Unidos, estima-se que 50% dos doentes em tratamento por cancro recorrem a algum tipo de medicina alternativa, muitas delas benéficas mas outras prejudiciais", revelou.

As terapias alternativas, continuou o oncologista, devem ser diferenciadas das terapias complementares, com a hipnoterapia, a meditação e o ioga, que têm como objetivo reduzir o efeito da ansiedade, do medo e da depressão e promover sentimentos de bem-estar emocional nos doentes, "assumindo claramente que não pretendem tratar o corpo".

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De acordo com Joaquim Abreu de Sousa, outro dos mitos associados ao cancro prende-se com a própria definição da doença.

"O cancro não é uma doença única mas sim um conjunto de doenças, muito diversas entre si, cujo único mecanismo comum é a proliferação anormal de células que adquirem alterações genéticas e moleculares, bem como a capacidade de se dividir de forma constante, invadindo e interferindo com a função de outros órgãos", explicou.

Durante a sessão de debate, o especialista pretende esclarecer igualmente questões relacionadas com o sobretratamento e o sobrediagnóstico, que considera os "verdadeiros problemas" associados aos rastreios de cancro.

“Eu só preciso de tratar a doença que poderá progredir para um cancro invasivo, no entanto, quando afundo muito num rastreio, vou uma detetar doença que, provavelmente, nunca chegará a progredir”, explicou.

No entanto, "sem rastreio, não há diagnóstico precoce", considerou o médico, para quem esta é "a grande vitória no combate ao cancro, que nos permite estar a ganhar a batalha".

"O sobrediagnóstico é um problema do rastreio mas os benefícios são muito superiores ao prejuízo", asseverou.

A apresentação servirá também para o médico relacionar a incidência dos quatro tipos de cancro mais prevalecentes na mulher - mama, colo do útero, colorretal e pulmão - com o estilo de vida ocidental.

Joaquim Abreu de Sousa tenciona ainda explorar as medidas preconizadas pela Comissão Europeia para redução do risco de cancro, que passam pelo combate ao tabagismo (ativo e passivo), a procura por um peso saudável e uma dieta equilibrada, a realização de atividade física diária e a vacinação, que, atualmente, pode "prevenir muitos cancros".

Evitar o álcool, o sol em excesso, os poluentes ambientais e químicos e as fontes naturais de radiação, são outras das medidas preventivas.

Por fim, o especialista falará sobre a carga do cancro nas sociedades modernas, os custos que este representa na vida das pessoas, o estigma associado à patologia, a necessidade de se falar abertamente sobre a doença e a influência dos motores de busca ‘online'.

O objetivo da conferência internacional Woman XXI é promover o diálogo sobre questões relevantes relacionadas com a mulher, em diferentes áreas científicas, como a Sociologia, a Psicologia, a Nutrição, a Medicina, o Desporto, as Artes, a Economia, a História e o Direito.

Nesta edição, será abordada a relação com o corpo e a sexualidade, as migrações, os mitos e factos associados à depressão, a gestão entre a família e o trabalho, a violência de género e no namoro e o lugar da mulher na Ciência e nas Artes.

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