A Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar, que promoveu o estudo, considera que o reduzido número de unidades abertas este ano “é um sinal muito forte de desinvestimento e a maior ameaça desde o início da reforma” dos cuidados de saúde primários, que começou em 2005.

O estudo "O momento atual da reforma dos cuidados de saúde primários" realça ainda o facto de nenhuma das USF de modelo A ter passado este ano para modelo B, que é um modelo mais exigente, com maior autonomia e com mais incentivos financeiros.

Segundo o inquérito realizado aos coordenadores das USF, a esmagadora maioria (91,4%) das unidades de modelo A pretende passar para o modelo B. Mas o estudo vinca que isso “não lhes está a ser permitido”.

A passagem de modelo A para modelo B tem de ser aprovada pela tutela, tal como a abertura de novas unidades.

De acordo com o documento, que será discutido publicamente em Lisboa na sexta-feira, há atualmente no país 501 USF, abrangendo mais de 9.000 profissionais e que prestam cuidados a seis milhões de pessoas.

O estudo, assente em inquéritos foram feitos entre abril e maio deste ano, revela uma maior insatisfação dos profissionais de saúde com a reforça dos cuidados de saúde primários e com a atuação do Ministério da Saúde.

“A apreciação que os coordenadores fazem do momento atual da reforma e do Ministério da Saúde deteriorou-se de um modo muito marcado. Os mais insatisfeitos aumentaram quatro vezes na sua apreciação em relação ao Ministério da Saúde (nunca houve tantos)”, indica o documento.

O nível de insatisfação expresso é maior para com o Ministério da Saúde, seguindo-se a SPMS – Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, responsável nomeadamente pelos sistemas informáticos no SNS.

Cerca de 90% das USF considera que o nível de autonomia do seu agrupamento de centros de saúde para gerir a atividade é insuficiente, o que afeta a atividade desenvolvida.

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