Uma nova terapia para impedir a divisão celular descontrolada que sucede em casos de cancro foi descoberta por investigadores em Portugal e é publicada em março na revista “Nature Cell Biology”.

“Não vai evitar um cancro, mas pode servir como terapia a quem já o tenha desenvolvido”, explicou à Lusa Hélder Maiato, do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) e líder da investigação.

Segundo aquele investigador, numa fase de desenvolvimento de um tumor, há um momento de “extrema e descontrolada proliferação celular” e com a nova terapia é possível “impedir que (a proliferação) seja eternizada, controlando-se a divisão celular”.

O estudo prova que determinadas proteínas, as CLASPs, podem ser utilizadas como alvos para inviabilizar células em divisão.

“Se, em teoria, conseguirmos remover as CLASPs apenas nas linhagens de células cancerígenas, por exemplo, poderemos impedir que tumores continuem a proliferar”, observa Hélder Maiato, referindo igualmente que o “ponto chave é arranjar uma forma de interferir especificamente com as células que se estão a dividir”.

A investigação, que já ofereceu o prémio Pfizer de Investigação Básica à equipa liderada por Hélder Maiato, também concluiu que os cromossomas têm um papel ativo na determinação da arquitetura da máquina responsável pela divisão celular.

Durante a divisão celular, normalmente o material genético, sob a forma de cromossomas, separa-se de um modo equivalente para dois polos definidos ao longo do eixo de divisão, constituindo o fuso mitótico.

Segundo a investigadora Elsa Logarinho, também autora do trabalho, “é muito importante que este fuso esteja corretamente formado e mantenha o seu carácter bipolar”, uma vez que é ele que garante a igual “divisão dos cromossomas entre as células filhas”, adianta.

9 de fevereiro de 2012

@Lusa

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