Apesar de não haver maneiras certas ou erradas de sofrer, há maneiras saudáveis de lidar com a dor, que, com o tempo, podem amenizar a tristeza e ajudar-nos a aceitar a perda, a encontrar um novo sentido para a vida e seguir em frente.

Por vezes ouvimos tanta coisa que nem sempre sabemos se é mesmo verdade. Muitos são os “conselhos” que ouvimos por aí… Mas, nem todos são realmente a melhor opção, sendo a maioria deles mitos criados acerca do processo de luto.

Mito 1: “Uma pessoa não deve falar sobre o assunto”

É necessário que a pessoa fala sobre o assunto, de forma a entra em contacto com a sua dor e expor os seus pontos de vista e emoções.

Mito 2: “Uma pessoa tem que ser forte”

Estar triste, vulnerável ou em sofrimento nunca foi sinal de fraqueza!

Fingir que está tudo bem é muito mais difícil e doloroso. O momento deve ser sentindo tal qual como é, de forma a não suprimir e bloquear os sentimentos e emoções.

Mito 3: “A pessoa que está em luto tem depressão”

Luto e depressão são condições distintas e incomparáveis, apesar de algumas manifestações do luto e da depressão serem semelhantes, como choro, tristeza, apatia, insónia... O luto é uma reação normal e esperada após a perda de algo ou alguém significativo.

Mito 4: “A pessoa que vive o luto tem de ser medicada”

O luto não é uma doença que precisa medicação para ser curada. Nos casos de Luto patológico ou duradouro, sim, os medicamentos podem ser indicados (pelos médicos). O sofrimento psíquico não precisa ser sempre medicado (a medicação não a solução é um remedeio). Nestes casos a avaliação do profissional- Psicólogo ou Psiquiatra- é muito importante.

Mito 5: “A pessoa precisa voltar à rotina imediatamente”

Apesar da licença por luto ser reduzido, por vezes o voltar de imediato à rotina poderá ter o resultado oposto ao desejável, uma vez que irá impedir o contacto com o sofrimento e a dor, prejudicando a elaboração saudável do luto. É necessário um tempo para refletir, vivenciar e assimilar a perda e assim processar o que se sente.

Mito 6: “As crianças não percebem o que é a morte e o luto, por isso é melhor protegê-las e não deixa-las viver o momento de luto”

A negação dos acontecimentos, fingindo que está tudo bem nunca protegeu as crianças.

As crianças, facilmente, apercebem-se dos comportamentos e reações emocionais das pessoas à sua volta e podem criar fantasias em relação aos factos, como por exemplo sentirem culpa de algo que não fizeram. Elas também precisam passar pelo processo de luto junto com a família.

Como lidar com a perda?

O luto é um acontecimento de vida muito stressante, que requer ajustamentos. Muitas pessoas experimentam a dor física, bem como dor emocional e comportamental.

Quando um determinado acontecimento gera stress, como é o caso do luto, automaticamente ativamos todas as nossas estratégias de coping, que nos ajudam a lidar com a perda. Estas estratégias alteram a nossa atenção sobre a fonte de stress (por exemplo, distanciamo-nos ou aproximamamo-nos da situação que nos gera dor), promovem a construção de significado para a situação (por exemplo, tentamos reavaliar as nossas memórias) ou conduzem a alteração de comportamentos (por exemplo, enfrentar a situação e procurar apoio social). 

O primeiro passo, e o mais importante, é sempre reconhecermos o que pensamos, sentimos (emocionalmente e fisicamente, sinais que o nosso corpo nos envia através de diferentes sensações físicas) e fazemos(comportamentos adotados) perante esta situação.

Sente que não consegue lidar com esta situação? Peça ajuda! Um artigo da psicóloga clínica Marisa Marques.

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