A associação Médicos do Mundo (MdM) tem dois projetos em risco de acabar por falta de financiamento, apesar de terem cada vez mais procura da população no que toca à distribuição gratuita de medicamentos e consultas.

Nos últimos nove anos, os MdM prestaram cuidados primários de saúde, deram consultas de enfermagem e apoio psico-social em quatro bairros sociais de Loures.

De acordo com a coordenadora dos projetos nacionais da organização, Carla Fernandes, as equipas de enfermagem atenderam cerca 3.900 pessoas daqueles bairros e realizaram cerca de 13.800 consultas.

Além destes serviços, a associação dá ainda apoio medicamentoso, distribuindo medicamentos sem necessidade de receita médica e disponibilizando remédios às famílias mais carenciadas quando estas “não têm dinheiro para aviar as receitas”.

A coordenadora garante que este é “um serviço cada vez mais necessário e com mais procura”, até porque as notícias sobre as novas regras das isenções das taxas moderadoras levaram a que muitos moradores deixassem de usar o Serviço Nacional de Saúde por medo de serem confrontados com uma conta no final da consulta.

Em alternativa, garantiu Carla Fernandes, os utentes passaram a recorrer mais ao serviço gratuito prestado pelos Médicos do Mundo.

Apesar do aumento da procura, o corte no financiamento do projeto já levou a uma redução da presença das equipas em determinados bairros: “antes estavam todos os dias da semana e agora estão uma ou duas vezes por semana”, lamentou.

Neste momento, a organização está a "analisar internamente a possibilidade de fecho ou continuidade de dois projetos": o de Loures e um outro na zona do Seixal.

“O que nos custa mais é ver que estamos há tantos anos no terreno e agora que o país tem mais necessidades é que nós temos de sair”, desabafou Carla Fernandes, lembrando que já tiveram de suspender um programa no norte do país, por falta de financiamento.

As equipas de rua da organização não governamental (ONG) que davam apoio à população sem-abrigo e aos trabalhadores do sexo do Porto já foram desativadas.

Os dois projetos da área metropolitana de Lisboa estão a funcionar com verbas próprias da associação, mas “para garantir a qualidade do serviço são precisos apoios", afirmou.

"Se não os tivermos, vamos ter de cancelar”, alertou Carla Fernandes.

Em Loures, o programa inicial foi pensado para dar apoio médico a emigrantes e trabalhadores do sexo. No entanto, em agosto do ano passado, a MdM deixou de trabalhar com emigrantes e, em vez de duas equipas técnicas para cada projeto, passou a existir apenas uma. Em vez de estarem presentes nos bairros "quatro vezes por semana, passaram a ir apenas uma vez", acrescentou.

Hoje, ao final do dia, a MdM vai apresentar uma campanha que pretende lançar em breve para angariar fundos para a associação.

Sem filiação partidária ou religiosa, a MdM trabalha para que todos tenham acesso a cuidados de saúde independentemente da sua nacionalidade, religião ou ideologia.

26 de janeiro de 2012

@Lusa

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