O bastonário da Ordem dos Médicos garante ter conhecimento de várias queixas feitas por estes profissionais ao Infarmed de efeitos adversos de medicamentos genéricos, mas este organismo recusa-se a revelar se recebeu notificações.

A propósito do apelo lançado pela Ordem dos Médicos (OM) aos profissionais de saúde para que reportassem efeitos adversos com medicamentos ou decorrentes da sua troca, através de um link no portal da ordem, a Lusa questionou o Infarmed sobre o número de notificações que tinha recebido sobre o mesmo assunto.

O porta-voz daquele organismo afirmou que não iria dar resposta sobre esta matéria.

Contudo, a autoridade que regula o setor do medicamento afirma, em comunicado datado de 27 de outubro, que “até à data, nunca foram comunicadas ao Sistema Nacional de Farmacovigilância quaisquer notificações de profissionais de saúde, incluindo médicos, que possam apontar problemas associados ao uso de medicamentos genéricos”.

Em declarações à Lusa, o bastonário José Manuel Silva afirmou que o Infarmed “mente e não regula o mercado”, argumentando ter conhecimento e provas de várias notificações apresentadas por médicos a propósito da ausência de efeito de medicamentos ou de eventos adversos com “intensidade e frequência anormal” e superior ao previsto no Resumo das Características do Medicamento (RCM).

Segundo o bastonário, essas notificações, algumas com mais de um ano, não justificaram qualquer medida por parte do Infarmed.

A Ordem dos Médicos alertou ainda para outro tipo de queixas por parte destes profissionais que estão a aumentar e que dizem respeito à troca nas farmácias por genéricos de “marca substancialmente mais cara”.

“O que os colegas me informam é que habitualmente as farmácias trocam por um fármaco mais caro. Por isso pedi, há 15 dias, resposta ao Centro de Conferencia de Faturas sobre quantas faturas foram para medicamentos mais caros e quantas para mais baratos”, afirmou, acrescentando ter pedido especificamente dados sobre faturas eletrónicas emitidas no mês de julho, não tendo obtido ainda resposta.

Na opinião do responsável há conflito de interesses quando cabe ao farmacêutico escolher o medicamento que vende, pois o seu negócio é “maximizar o lucro”.

José Manuel Silva afirmou ainda ter pedido ao Infarmed para “dizer por escrito se todos os genéricos são bioequivalentes entre si e com base em que fundamentação cientifica é que o afirma”, ao que o Infarmed terá respondido que não divulga a bioequivalência dos medicamentos.

Segundo o bastonário, uma coisa é a bioequivalencia entre um original e um genérico, outra é na bioequivalência entre genéricos.

“A troca de genérico por genérico não foi testada. Alguns não são equivalentes”, acrescentou.

17 de novembro de 2011

@Lusa

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