“Vamos implementar uma linha telefónica gratuita de apoio aos idosos e pretendemos ir ao encontro deles, nas suas residências, dos que são negligenciados, que não têm apoio na alimentação ou nos cuidados de saúde”, afirmou Isabel Gonçalves, responsável pelo projeto, explicando que o objetivo passa também por tentar “fazer a ponte” entre esta população mais vulnerável e os familiares cuidadores.

Além da linha telefónica, a associação vai disponibilizar na sua sede um gabinete de apoio psicológico para os idosos do distrito vítimas de violência doméstica.

Isabel Gonçalves adiantou que esta iniciativa sucede a um projeto com idosos, desenvolvido há dois anos e denominado “Renascer do silêncio”, que foi implementado no concelho de Leiria com o apoio das juntas de freguesia.

“Ficámos espantados com a situação que encontrámos”, referiu a responsável, apontando um caso de “uma mulher que era explorada financeiramente por um filho que vivia com ela e que a agredia”.

40 casos no distrito

No âmbito deste projeto, foram identificados cerca de 40 idosos vítimas de violência.

Segundo Isabel Gonçalves, a associação percebeu, então, que “era um trabalho que tinha de ser feito com mais profundidade e dedicação”, exemplificando com a necessidade de “uma identificação e maior aproximação aos idosos em situação de negligência ou solidão”.

Dados da associação disponibilizados à agência Lusa indicam que entre 01 de janeiro e 30 de setembro foram registados 160 novos casos de vítimas de violência doméstica no distrito, sendo que, no período homólogo de 2014, foram 138 as novas situações.

Atualmente, a “Mulher Século XXI” acompanha um total de 371 pessoas, o somatório de casos novos de vítimas de violência doméstica e reincidências, e inclui o apoio psicológico e outros, como o recurso à Justiça, Segurança Social, serviços de saúde ou forças de segurança, adiantou a socióloga Catarina Louro, assinalando que este ano já foram feitos 1.077 atendimentos.

Das pessoas acompanhadas, nove são idosas, esclareceu Catarina Louro, salientando existir uma relutância “muito grande” desta faixa etária em denunciar a violência de filhos ou de sobrinhos, pois encaram-na “como uma má conduta que tiveram enquanto educadores e consideram que têm responsabilidades”.

Por isso, a socióloga acredita que é maior o número casos de violência doméstica sobre idosos, observando que a crise motivou que muitos filhos, devido ao desemprego, regressassem a casa dos pais.

Catarina Louro salientou a importância desta linha de apoio como forma de possibilitar o contacto junto de um grupo de pessoas que “não denuncia, nem pede ajuda”.

“Vai permitir sinalizar situações e, acima de tudo, acompanhar pessoas idosas vítimas de violência que não querem vir presencialmente ao gabinete de apoio psicológico na associação”, disse.

Para concretizar o projeto, a “Mulher Século XXI”, fundada em 2001, tem um apoio financeiro de cerca de 33 mil euros do BPI Seniores.

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