Em declarações à agência Lusa, Ana Henriques, investigadora do ISPUP responsável pelo estudo, publicado na revista científica "Eating and Weight Disorders – Studies on Anorexia, Bulimia and Obesity", afirmou hoje que "o conhecimento dos jovens é mais correto e transversal quando comparado com o dos adultos".

As conclusões deste estudo surgem no âmbito de um questionário, que envolveu 1.624 participantes, com idades entre os 16 e 79 anos, sobre as causas, prevalências, diagnósticos e tratamentos da obesidade.

"Este estudo é inovador na medida em que foi uma oportunidade para recolher informação que raramente é inquirida aos portugueses. A obesidade tem sido abordada de um ponto de vista sério, mas, se calhar, incidimos sempre sobre determinados tópicos, como a alimentação e o exercício físico", salientou Ana Henriques.

Questões como "Em cada 100 portugueses quantos é que acha que têm obesidade?" ou "Como se calcula o Índice de Massa Corporal (IMC)?" foram alguns dos enigmas colocados pelas investigadoras.

E, apesar de os participantes terem reconhecido os benefícios da prática da atividade física, o impacto da falta de exercício na obesidade abdominal e as consequências do excesso de peso, as conclusões deste estudo são "antagónicas".

Segundo Ana Henriques, foram detetadas várias lacunas, especialmente no que diz respeito à prevalência da obesidade, ao número de calorias que devem ser ingeridas e ao diagnóstico da doença (cálculo do IMC).

"Onde os participantes apresentam mais lacunas é ao nível do diagnóstico da doença, porque não sabem calcular o IMC e não sabem corresponder determinado valor de IMC a um peso normal, excesso de peso ou obesidade", frisou.

A investigadora salientou ainda que, apesar de os jovens terem um conhecimento “mais correto” sobre a obesidade, têm uma “crença errada” sobre as opções de tratamento.

“Na questão dos tratamentos e o facto de existir atualmente muita suplementação, os jovens têm uma crença errada de que estes são bons para o tratamento da obesidade, o que revela, do ponto de vista da saúde, uma falsa verdade”, frisou.

À Lusa, Ana Henriques adiantou que os resultados deste estudo mostram a necessidade de implementar "ações de informação para a população" que incidam sobre outros temas e permitam combater a "falta de literacia em saúde".

"É importante perceber como é que traduzimos o fornecimento de mais informação em comportamentos mais saudáveis, porque se nós só dermos informação e não conseguirmos perceber de que forma é que as pessoas vão utilizá-la, este trabalho de ação e formação fica incompleto", concluiu.

O estudo agora publicado surge no âmbito de um projeto mais "amplo" que avaliou o conhecimento e comportamento sobre saúde da população portuguesa em quatro patologias (obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e cancro) e do qual resultou o livro "A informação sobre saúde dos Portugueses: Fontes, Conhecimentos e Comportamentos".

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