Segundo avançou à Lusa fonte do conselho de administração do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, “dos 263 médicos escalados, apenas 74 fizeram greve”, o que corresponde a uma adesão de 28%.

Por seu lado, o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) referiu “uma adesão superior a 90% na generalidade dos serviços”.

“Esta forte adesão demonstra inequivocamente o isolamento do conselho de administração em relação ao corpo clínico, que não suporta mais continuar a ser objeto de todo o tipo de ilegalidades, arbitrariedades, chantagens e mesmo perseguições”, refere o sindicato em comunicado.

O SMN sublinha que, “apesar das chantagens e das manobras de diversão” dos últimos dias e mesmo “das ameaças do conselho de administração e algumas direções de serviços, a esmagadora maioria dos médicos daquela instituição iniciou hoje uma paralisação que se estenderá ao dia de amanhã [sexta-feira], com uma adesão superior a 90% na generalidade dos serviços”.

“E a prova disso é que serviços que nem fazem urgência estão apenas a cumprir os serviços mínimos - casos, por exemplo, da Anestesia, Urologia, Medicina Interna e Pediatria”, sustentou.

Segundo o sindicato, “o conselho de administração esforçou-se por fazer crer que a greve não teria razão de ser, pois desde há três dias que estará a respeitar o descanso a seguir ao trabalho noturno, procurando esquecer que, para além de esse descanso não respeitar o atual quadro legal, outros motivos reivindicativos e de denúncia foram invocados para a contestação”.

O SMN apela à tutela para que não ignore “esta grave situação”, considerando que se impõe “uma resolução urgente por parte do Ministro da Saúde que faça cumprir o acordado em sede de negocial com as estruturas sindicais”.

A greve decretada pelo sindicato visa protestar contra a ilegalidade de os médicos “continuarem impedidos de cumprir o descanso compensatório, após o trabalho noturno”.

De acordo com o sindicato, esta situação obriga os clínicos a trabalhar “pelo menos 30 horas seguidas, colocando em risco a saúde e segurança dos doentes oncológicos”.

A organização semanal de trabalho, nomeadamente a atribuição da jornada continua, inadequadamente aplicada na instituição e o alegado clima persecutório e intimidatório que se vive no IPO do Porto motivaram também esta paralisação.