Em declarações à agência Lusa, Susana Barbosa, investigadora daquele instituto do Porto, explicou hoje que o projeto, composto por mais de 17 parceiros de 13 países e financiado em dois milhões de euros, poderá gerar “dados importantes e com impacto” ao nível do clima e da “proteção das pessoas”.

“O rádon é um gás estranho porque não tem cheiro, não tem cor e não se vê, mas está em todo o lado, nuns sítios mais, noutros menos, mas está sempre a ser formado. Este projeto será particularmente importante para Portugal porque temos concentrações muito altas de rádon por causa dos granitos”, observou a investigadora.

Apesar de o rádon ser “fácil de medir” no solo, por tratar-se de um gás radioativo, ainda não existem ferramentas para “medir com precisão a sua quantidade na atmosfera”, nem em locais onde a sua concentração é muito elevada, sendo esse o grande objetivo deste projeto, intitulado ‘traceRadon’.

“O rádon é criado nas rochas e uma parte dele liberta-se para a atmosfera porque é um gás. O nosso objetivo é conseguir medir esse fluxo de libertação do rádon do solo para a atmosfera e, depois, medir na própria atmosfera”, esclareceu a investigadora do Centro de Sistemas de Informação e de Computação Gráfica do INESC TEC.

Tal medição permitirá, segundo Susana Barbosa, obter informação “mais rigorosa”, tanto ao nível do clima, como da saúde.

No que ao clima concerne, a ideia dos investigadores é “usar o rádon como medida indireta” dos gases que provocam o efeito de estufa e, assim, “inferir a quantidade de emissão” destes gases.

“As emissões dos gases que provocam efeito de estufa são muito difíceis de medir espacialmente e temporalmente. Se conseguirmos, a partir do rádon, que por ser radioativo tem um efeito traçador, inferir a quantidade de emissão de gases de efeito de estufa é um grande avanço para o clima”, salientou.

Além da quantidade global de emissões, os investigadores do 'traceRadon' vão também tentar perceber que gases estão a ser emitidos para a atmosfera, onde e quando.

O projeto debruça-se ainda sobre a área da saúde, mais concretamente na proteção das pessoas que estão expostas a este gás radioativo que é a “segunda causa de cancro do pulmão a seguir ao tabaco”.

“Uma das preocupações é medir o rádon dentro dos edifícios, porque acima de uma certa concentração torna-se perigoso para as pessoas. Por um lado, tornamos as casas mais seguras e eficientes energeticamente, mas por outro, ao não arejar, acumulamos estes elementos”, referiu Susana Barbosa.

Nesse sentido, os investigadores vão medir a quantidade de radiação que existe dentro das casas ao longo do ano, uma vez que, apesar da radiação não ser elevada, é “constante” e a exposição a este gás tem impactos para a saúde.

“Sabemos que, em Portugal, a zona da Serra da Estrela é um grande ponto de rádon, essencialmente pela composição das rochas. Se tivermos medidas e mapas dinâmicos de fluxo de rádon, vamos ter informação que nos permite dizer que áreas são mais sujeitas”, sublinhou.

As ferramentas desenvolvidas no âmbito deste projeto vão ser disponibilizadas nas redes de monitorização atmosférica, como o Integrated Carbon Observation System (ICOS), e nas redes de monitorização da radioatividade ambiental, como o European Radiological Data Exchange Plataform (EURDEP).

Além do INESC TEC, integram também este projeto, com duração de três anos e financiado em dois milhões de euros pela EURAMET – European Association of National Metrology Institute, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-Norte) e o AIR Centre.

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