Estimativas iniciais do orçamento do carbono – a quantidade de dióxido de carbono, gás que retém calor, que se pode libertar na atmosfera sem aquecer a Terra em mais de dois graus Celsius (2ºC) – têm-se localizado entre 590 mil milhões e 2,4 biliões (milhão de milhões) de toneladas.

Porém, a nova investigação situa o limite máximo em metade deste, nos 1,24 biliões de toneladas de dióxido de carbono.

“Concluímos que este orçamento está no limite inferior do que os estudos indicavam até agora”, afirmou o principal autor do documento, Joeri Rogelj, um cientista do clima, do International Institute for Applied Systems Analysis, da Áustria.

“Se não começarmos a reduzir as nossas emissões imediatamente, vamos rebentá-lo (ao orçamento) em poucas décadas”, avisou.

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O objetivo de conter o aumento da temperatura da superfície em 2ºC, limite visto então geralmente como o limite a não superar sob pena de entrar em zona perigosa, foi estabelecido pela primeira vez em 2010.

Mas milhares de estudos científicos posteriores demonstraram que até uma pequena subida da temperatura pode ter consequências severas, em particular para as nações mais pobres.

Com o atual aumento inferior a 1ºC, em relação aos níveis pré-industriais, o mundo está a assistir a secas, inundações e mega tempestades agravadas pelas alterações climáticas.

Em resultado, o acordo alcançado em Paris na Cimeira do Clima, promovida pela Organização das Nações Unidas, adotou o objetivo mais ambicioso parta o aumento da temperatura “bem abaixo dos 2.ºC”, prometendo perseguir a meta dos 1,5ºC.

As emissões de dióxido de carbono em 2015 atingiram as 40 mil milhões de toneladas e prevê-se que continuem a aumentar na próxima década, mesmo considerando as promessas de corte destas emissões feitas por cerca de 190 Estados em Paris.

Se as emissões atuais continuarem a este ritmo, o ‘orçamento de carbono’ associado aos 2ºC será gasto entre 15 a 20 anos, segundo os novos cálculos.

Para um objetivo de 1,5ºC, este orçamento “seria esgotado dentro de uma década”, disse Rogelj à agência noticiosa AFP.

“É indubitável que é preciso aumentar radicalmente a ambição de qualquer coisa que se conheça para estabilizar o aquecimento global, seja nos 1,5 ou 2ºC – ou até já em aumentos superiores”, respondeu por correio eletrónico.

Para o estudo, publicado na revista Nature Climate Change, Rogelj e uma meia dúzia de coautores procuraram compreender porque as estimativas anteriores do orçamento de carbono variaram tanto.

Parte da distância é atribuída a diferentes métodos e cenários de projeção de tendências para o futuro.

Outro fator é o de muitos estudos considerarem apenas o dióxido de carbono, gás dominante nas emissões com efeito de estufa, tratando os outros da mesma maneira.

O dióxido de carbono é responsabilizado por mais de 80% do aquecimento global.

“Na nossa proposta de intervalo de variação, consideramos todas as emissões humanas e não apenas as do dióxido de carbono”, adiantou.

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