“Hoje em dia grande parte da medicina depende da intervenção farmacológica (prescrição e tratamento com medicamento) e muitas vezes sentimos que nem sempre conseguimos dar uma atenção transversal aos doentes que precisam dela para gestão de toda a sua medicação”, disse o diretor dos Serviços Farmacêuticos do CHUSJ, Pedro Soares.

Em declarações à agência Lusa, o responsável apontou que os doentes oncológicos são, tendencialmente, mais idosos e têm, tendencialmente também, múltiplas comorbilidades, logo fazem “regimes terapêuticos extensos e complexos”.

“Não é raro termos um doente com mais de 10 medicamentos para tomar por dia, em várias tomas diárias”, disse.

Ou seja, em causa não está apenas apoiar o doente oncológico na gestão do tratamento e tomas relativas aos medicamentos ligados à doença oncológica, mas sim avaliar as interações entre os vários fármacos que esse utente toma.

O CHUSJ segue mais de 15.000 doentes com patologia crónica em ambulatório, e mais de um terço são doentes oncológicos.

Esta consulta dedica-se prioritariamente aos doentes polimedicados e/ou com comorbilidades.

Pedro Soares explicou que "embora haja uma perceção por parte dos utentes de que as novas terapias são mais seguras que os regimes clássicos de quimioterapia, estas encerram ainda muitas preocupações face aos fatores de risco presentes”.

As instruções complexas de administração, as margens terapêuticas estreitas, potenciais efeitos adversos, interações medicamentosas e os riscos de não adesão à terapêutica são os fatores que esta consulta farmacêutica quer avaliar.

O diretor alertou, ainda, que “tem havido bastante inovação na área oncológica, mas os medicamentos nunca são isentos de risco”, razão pela qual este serviço quer intervir junto de doentes que estão a fazer fármacos mais recentes onde o perfil de segurança é menos conhecido.

“Os fármacos, no âmbito dos ensaios clínicos, são testados com exaustividade, mas só em uso, só no mundo real, se detetam alguns efeitos secundários”, explicou o responsável, acrescentando que “hoje em dia também se verifica que a literacia para a saúde não é a desejável e muitos doentes não têm um cuidador que dê o devido apoio na gestão do tratamento”.

“Com esta consulta farmacêutica procura-se criar um momento em que se faz uma avaliação transversal de todas as patologias”, completou.

O diretor dos Serviços Farmacêuticos do CHUSJ frisou que “o que se pretende é uma melhoria do processo assistencial” e que a decisão recaiu sobre estes doentes “pela sua particular fragilidade”, podendo o projeto vir a estender-se a outras valências.

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