
A AEENSP-NOVA está à frente da organização, promovendo uma colaboração multissetorial essencial para superar os desafios atuais do sistema de saúde em Portugal, como acesso, equidade e sustentabilidade. A entrevista explora como a tecnologia e a participação cidadã são fundamentais para um futuro mais resiliente e sustentável na saúde pública.
Healthnews (HN) – O Health Re:Design Summit 2025 tem como foco principal a inovação em saúde pública. De que forma é que a AEENSP-NOVA está envolvida neste evento e quais são as vossas expectativas para o dia 13 de maio?
André Marques (AM) – O Health Re:Design Summit 2025 foi pensado para ser um ponto de encontro entre quem estuda, lidera e atua no setor da saúde, com foco claro nas políticas de saúde, na inovação e na liderança. A AEENSP-NOVA está envolvida desde o primeiro momento, através da coordenação da comissão organizadora e da mobilização de parceiros nacionais e internacionais que partilham da mesma visão.
Esperamos que o dia 13 de maio marque uma nova etapa – com discussões sérias, contributos sólidos e propostas que possam ser levadas à prática. Este congresso é também uma oportunidade para reforçar o papel da saúde pública como área estratégica para o desenvolvimento do país.
HN – A inovação em saúde pública exige uma colaboração multissetorial. Que papel é que a AEENSP-NOVA pretende desempenhar na promoção desta colaboração durante o evento?
Teresa Soares (TS) – A saúde pública nunca foi uma responsabilidade exclusiva do setor da saúde. Os seus desafios são complexos e atravessam áreas como a educação, a proteção social, a justiça, a habitação ou o ambiente. Por isso, a inovação em saúde pública depende necessariamente da capacidade de criar pontes entre setores.
A AEENSP-NOVA, enquanto entidade representativa dos estudantes da Escola Nacional de Saúde Pública, tem, precisamente, essa missão: formar profissionais com uma visão ampla e capacidade de atuação em contextos diversos. No Health Re:Design Summit 2025, procuramos refletir essa mesma lógica no desenho do programa – convidando decisores, académicos e representantes de vários setores a participar numa discussão conjunta sobre o futuro dos sistemas de saúde.
HN – Um dos objetivos do Health Re:Design Summit 2025 é discutir soluções para os desafios atuais do sistema de saúde. Quais são, na vossa opinião, os principais desafios que Portugal enfrenta nesta área e como é que a AEENSP-NOVA tem contribuído para os superar?
TS – Portugal enfrenta desafios sérios no acesso, na equidade e na sustentabilidade do sistema de saúde. A escassez de recursos humanos, os constrangimentos orçamentais e o envelhecimento da população exigem respostas estruturadas e integradas. A AEENSP-NOVA tem procurado contribuir para essa transformação, através da formação de profissionais preparados para atuar nesses contextos complexos e da promoção de investigação aplicada com impacto real na definição de políticas.AM – Do ponto de vista da geração mais jovem, sentimos também a necessidade de espaços de inovação onde se possa pensar o futuro da saúde com liberdade e responsabilidade. O congresso é uma forma concreta de responder a esse desafio, ligando pessoas e ideias com capacidade de transformar práticas e modelos de organização.
HN – A AEENSP-NOVA tem uma forte ligação à formação e à investigação em saúde pública. Como é que o Health Re:Design Summit 2025 pode servir de plataforma para promover novas abordagens e de investigação?
TS – Este congresso é uma extensão natural da missão da AEENSP-NOVA. É um espaço onde o pensamento crítico e a produção científica ganham visibilidade e se articulam com a prática. O programa inclui várias sessões que cruzam investigação, ensino e terreno, o que permite dar voz a novas gerações de investigadores e estimular o desenvolvimento de projetos colaborativos. Esperamos que daqui surjam novas redes de trabalho e ideias com potencial para ser aprofundadas academicamente.
HN – O evento irá contar com a participação de especialistas nacionais e internacionais. Que contributos é que esperam receber destes especialistas e como é que estes podem influenciar o futuro da saúde pública em Portugal?
AM – A escolha dos convidados foi feita com critério e tendo em conta não só a qualidade científica, mas também a experiência prática de quem tem enfrentado, com criatividade, os desafios dos seus sistemas de saúde. Esperamos que estes especialistas tragam inspiração, mas também confronto construtivo – que nos ajudem a questionar o que damos por adquirido e a ver novas possibilidades para o contexto português.
HN – A tecnologia e a digitalização são temas centrais no Health Re:Design Summit 2025. De que forma é que a AEENSP-NOVA tem integrado estas ferramentas no seu trabalho e que impacto é que esperam que tenham no futuro da saúde pública?
TS – A integração da tecnologia na saúde pública é uma das prioridades da Escola. Nos últimos anos, temos procurado atualizar conteúdos curriculares, desenvolver projetos com base em dados e investir em parcerias com centros tecnológicos. O impacto esperado vai além da eficiência: queremos usar a tecnologia como ferramenta para melhorar o acesso, antecipar problemas e apoiar decisões mais informadas.
HN – A sustentabilidade dos sistemas de saúde é um tema cada vez mais relevante. Que medidas ou estratégias é que a AEENSP-NOVA defende para garantir um sistema de saúde mais sustentável e resiliente em Portugal?
TS – A sustentabilidade exige um olhar de longo prazo, articulado com a equidade e com a qualidade dos cuidados. Defendemos políticas públicas baseadas em evidência, o reforço da saúde pública preventiva e a valorização dos profissionais do setor. O sistema só será resiliente se conseguir adaptar-se, proteger os mais vulneráveis e manter a confiança da população.
HN – O evento também abordará a importância da participação da comunidade e dos cidadãos na transformação da saúde pública. Como é que a AEENSP-NOVA tem trabalhado para envolver a população e promover uma maior literacia em saúde?
AM – A literacia em saúde é um fator-chave para a participação cidadã. A AEENSP-NOVA tem apostado em projetos com impacto direto na comunidade, promovendo a comunicação clara, o acesso à informação fiável e a criação de pontes entre a academia e a sociedade. O congresso integra essa mesma visão: haverá momentos abertos, espaços de escuta e iniciativas pensadas para aproximar a saúde pública das pessoas.
HN – Após o Health Re:Design Summit 2025, que passos é que a AEENSP-NOVA pretende dar para garantir que as discussões e conclusões do evento se traduzam em ações concretas no setor da saúde pública em Portugal?
TS – Desde o início que trabalhamos com a preocupação de deixar um legado. O congresso não termina no dia 13 de maio. Pretendemos sistematizar os contributos, publicar as principais conclusões e, sobretudo, usar os resultados para reforçar a nossa ação institucional, seja através do ensino, da investigação ou da intervenção pública. O Health Re:Design Summit 2025 é um ponto de partida para aprofundar um compromisso que já existe: contribuir, de forma responsável, para a melhoria do sistema de saúde em Portugal.
Entrevista AL
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