“Os trabalhadores cujos turnos começam às 20:00 ou às 23:00 já estão cobertos pelo pré-aviso de greve como é o caso do setor da saúde ou da recolha do lixo”, diz o secretário-geral da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap), José Abraão, à Lusa.

Esta estrutura sindical da UGT, uma das que convocou a greve, a par do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), estima que a paralisação de sexta-feira vai ter "um impacto acentuado em setores fundamentais como a educação, através do encerramento de milhares de escolas, a saúde, com adiamento de milhares de consultas externas, cirurgias programadas e exames complementares de diagnóstico, bem como dificuldades no funcionamento dos serviços administrativos dos hospitais e unidades de saúde".

Também nas autarquias se preveem constrangimentos, como é o caso da recolha do lixo, tal como nos serviços da justiça, atendimento das lojas do cidadão, registos e notariado e Segurança Social.

A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, da CGTP, convocou uma manifestação nacional para sexta-feira à tarde, em Lisboa, para a qual foi também emitido um pré-aviso de greve para assegurar a participação dos trabalhadores de todo o país no protesto.

“Convocámos uma manifestação, mas o dia será também de greve e centenas de serviços vão fechar em todo o país”, diz a líder da Frente Comum, Ana Avoila, à Lusa.

O primeiro balanço da greve será feito ainda esta noite pelas estruturas sindicais.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) marcou também greve para o mesmo dia, para reforçar a mobilização do setor da educação para o protesto.

Várias organizações sindicais do setor da saúde emitiram pré-avisos de greve para sexta-feira, entre elas as federações nacionais dos médicos (FNAM) e a dos enfermeiros (FENSE) e o Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas do Diagnóstico e Terapêutica (STSS).

Esta é a primeira greve nacional da função pública desde que o atual Governo liderado por António Costa tomou posse, em outubro, e acontece a menos de uma semana da votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), marcada para 06 de fevereiro.

Os sindicatos contestam a proposta de 0,3% de aumentos salariais para este ano apresentada pelo Governo, que consideram "ofensiva" após dez anos de congelamento, e a forma como o processo negocial decorreu.

O Governo voltou, entretanto, a chamar as organizações sindicais para uma reunião dia 10 de fevereiro, quatro dias após a votação final global do OE2020.

Além de aumentos salariais "dignos", as estruturas sindicais reclamam a correção da Tabela Remuneratória Única, a revisão do sistema de avaliação de desempenho e o alargamento da ADSE aos trabalhadores em regime de contrato individual de trabalho do Estado aos trabalhadores precários que foram regularizados.

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