As disparidades geográficas no acesso à saúde e a abordagem das mais importantes descobertas na área da epidemiologia vão concentrar as atenções dos mais de 400 participantes no Congresso Europeu de Epidemiologia, que começa na quarta-feira, no Porto.

De acordo com a Carla Lopes, professora da Faculdade de Medicina do Porto, que integra a comissão de organização do encontro, este evento científico que reúne investigadores, clínicos e especialistas em Epidemiologia e Saúde Pública, de 45 países, vai permitir abordar, sob múltiplas perspetivas, os mais recentes estudos e descobertas realizadas nesta área.

O congresso, que começa na quarta-feira e encerra no sábado, é organizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em colaboração com a Associação Portuguesa de Epidemiologia, o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e a Federação Europeia de Epidemiologia.

Carla Lopes destacou a presença, na cerimónia de abertura do encontro, do presidente da Associação Internacional de Epidemiologia e professor de Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas, Brasil, Cesar Victora. Este especialista brasileiro na área da Medicina Materno-infantil vai falar sobre os Objetivos de Desenvolvimento Milénio (ODM).

Estabelecidos pelas Nações Unidas, estes objetivos incluem metas diretamente relacionadas com a saúde e o bem-estar das populações, tais como erradicar a pobreza extrema e a fome, reduzir a mortalidade infantil, combater o HIV/Sida, a malária e outras doenças e, ainda, melhorar a saúde materna.

No mesmo painel, estarão ainda Alfredo Morabia (Columbia Mailman School of Public Health, Nova Iorque – EUA) e Jorge Sampaio, Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações e Enviado Especial do Secretário-Geral da ONU para a Luta Contra a Tuberculose.

O programa de quinta-feira inclui uma sessão temática, intitulada, “Achieving more effective translation of epidemiologic findings into policy when the facts are not the whole story”, na qual os oradores convidados vão debater formas de “traduzir” o conhecimento científico obtido através dos estudos epidemiológicos em medidas de políticas de saúde eficazes, sobretudo quando existem outras variáveis (sociais, económicas, entre outras) em jogo.

Este painel contará com a presença de Rodolfo Saracci, que foi responsável pela agência internacional de investigação em cancro e é autor de um dos mais importantes livros da área da Epidemiologia.

Na sexta-feira, um dos pontos altos do programa será a Sessão para Jovens Epidemiologistas (Young Epidemiologists Session), na qual serão apresentados trabalhos científicos originais sobre temas tão diversos como a incidência de cancro nos pacientes com diabetes de tipo II, a influência da posição socioeconómica ao longo da vida na função cognitiva, o consumo de álcool no desenvolvimento da depressão ou, ainda, a relação entre o sexo fetal e a ocorrência de hipertensão nas mães.

No sábado, destacam-se duas conferências: uma na área da Epidemiologia do cancro, com Eero Pukkala (professor de Epidemiologia e Saúde Pública do Finnish Cancer Registry, Institute for Statistical and Epidemiological Cancer Research, Finlândia), e outra sobre a importância da aplicação da evidência científica na definição das políticas de Saúde Pública, com Ildefonso Hernandez Aguado (professor de Saúde Pública e Medicina Preventiva e diretor do Departamento de Saúde Pública da Universidad Alicante, Espanha).

Numa nota enviada à Lusa, Henrique Barros, presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e presidente do congresso, refere que a Epidemiologia é uma ciência que “fomenta a colocação das questões mais pertinentes e, na maior parte dos casos, dá as respostas mais adequadas aos grandes desafios da saúde e da doença nas comunidades. E um dos maiores desafios que os especialistas enfrentam na atualidade é trabalhar para uma sociedade saudável e justa, especialmente em tempos de crise”.

“Qualquer exercício descritivo em Epidemiologia é capaz de revelar que as desigualdades na saúde são dos maiores desafios colocados à sociedade atual”, acrescentou Henrique Barros, exemplificando: “Nos anos 1990, nos países da África Subsariana metade morriam até aos cinco anos, enquanto nos então designados países desenvolvidos metade das mortes ocorria só aos 75 anos”.

O Congresso Europeu de Epidemiologia será encerrado pelo Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa.

4 de setembro de 2012

@Lusa

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