Os números implacáveis da Covid-19 não param de crescer. Até hoje, havia mais de 1,2 milhão de infectados, em 190 países, e 65.272 mortos, segundo o último balanço da AFP.

Mais de 47 mil mortos estão na Europa, e Espanha e Itália, os países mais atingidos, registam uma queda na chegada de doentes aos hospitais.

"Começamos a ver uma luz ao fundo do túnel", disse o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, que prorrogou até 25 de abril o confinamento no país, que já dura três semanas.

Os números parecem sustentar a sua esperança. O país observou hoje, pelo terceiro dia consecutivo, o registo diário mais baixo dos últimos 10 dias, com 674 mortos. Até agora, 12.418 pessoas perderam a vida para a Covid-19 em Espanha.

Itália, que detém o recorde mundial de 15.362 mortos, também registou avanços. Ontem, foram 681 mortos, uma queda de mais de 10%, e os pacientes em unidades de cuidados intensivos desceram para menos de 4 mil pela primeira vez desde o início da crise.

"É uma notícia importante, porque permite que os nossos hospitais respirem", declarou o chefe da Defesa Civil italiana, Angelo Borrelli.

Ao contrário de Espanha e Itália, os Estados Unidos estão em plena explosão da doença, ultrapassando 310 mil casos e 8.500 mortos. O estado de Nova Iorque, epicentro da crise naquele país, teve o seu pior dia ontem, com 630 mortos.

No Reino Unido, que ultrapassou 4.300 mortos, a situação é tal que a rainha pedirá hoje aos britânicos que enfrentem a crise com força, disciplina e companheirismo, num discurso incomum à nação.

América Latina ultrapassa os 30 mil casos

A pandemia também avança na América Latina, que registava hoje quase 30.400 casos confirmados e 1.052 mortos. O Brasil regista um terço dos casos, 10.278, e o maior número de mortos, 432. O Chile (4.161 infetados e 27 mortos) encontra-se em segundo lugar.

Na região, a doença teve cenas de horror no Equador (3.465 casos e quase 180 mortos), onde cerca de 150 corpos jaziam em residências e nas ruas da cidade de Guayaquil, no meio do caos causado pelo colapso dos serviços funerários.

Assim como em África, na América Latina há países com sistemas de saúde frágeis ou deteriorados, e grande parte da sua população vive do setor informal, o que dificulta as medidas de confinamento.

Corrida contra o tempo

A pandemia tem sido tão devastadora, que, mesmo nos países mais ricos, faltam testes de diagnóstico, camas nos cuidados intensivos e recursos humanos.

"No início, davam-nos quatro luvas (para serem usadas umas sobre as outras), agora dizem que duas são suficientes, mas eu uso três", conta uma enfermeira num hospital de campanha erguido nos arredores de Madrid.

Os países estão mergulhados numa corrida contra o tempo. A competição é impiedosa, num mundo onde as fronteiras voltaram a subir com rapidez. Os países mais pobres podem, apenas, assistir com impotência a esta luta feroz.

Depois de ser informado, inicialmente, que apenas equipas médicas deveriam cobrir a boca, Alemanha, França, Estados Unidos e outros países recomendaram, recentemente, o uso de máscaras como parte do leque de medidas para lutar contra a infeção, além do distanciamento social e da higiene frequente das mãos.

França já encomendou quase 2 mil milhões de máscaras à China, onde a pandemia teve início, e que regressa, lentamente, à normalidade.

Além dos hospitais, o drama humano acontece também nos centros geriátricos e em outras instalações sanitárias. Das 7.560 mortes em França causadas pelo vírus, 2.028 ocorreram nestes centros não-hospitalares.

Mais preocupações

Metade da humanidade está confinada, com grande custo para a economia mundial. O impacto social e económico da pandemia continua a aumentar por todas as partes.

Na Guatemala, o banco central informou que as remessas enviadas pelos emigrantes nos Estados Unidos começaram a diminuir. Uma refinaria no Equador suspendeu as operações por 14 dias.

A OMS afirma que "o pior está por vir" nos países em conflito ou onde há acampamentos de refugiados, geralmente cheios. Centenas de milhares de refugiados palestinos e sírios que vivem em acampamentos no Líbano, no meio da miséria, são muito vulneráveis ao novo coronavírus.

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