A Associação Todos com a Esclerose Múltipla (TEM) acusou o Hospital de Braga de receitar um único medicamento aos utentes que sofrem daquela doença, para poupar dinheiro, mas alerta que a medida tem “várias desvantagens e contra-indicações”.

Contactado pela Lusa, o Hospital de Braga garante que os doentes com esclerose múltipla são ali tratados “com terapêuticas aprovadas pelo Infarmed, adaptadas caso a caso, nomeadamente conforme as exacerbações e remissões da doença”.

Segundo a TEM, o Hospital de Braga passou, a partir de agosto, a obrigar os médicos a receitarem a novos doentes de esclerose múltipla o Betaferon.

“Em casos muito especiais, devidamente justificados, o médico pode receitar um outro medicamento, (Capaxone)”, acrescenta a associação, em comunicado.

Diz ainda que os doentes medicados até agosto continuam com os fármacos anteriormente receitados.

O Hospital alega que, “não obstante existirem outros medicamentos farmacologicamente equivalentes, o tratamento de primeira linha adotado é o Betaferon, o qual é internacionalmente indicado para esta patologia”.

Para a TEM, a escolha única do medicamento tem várias desvantagens e contra indicações.

“Esta política diminui a despesa do hospital a breve prazo mas não a do Estado a médio prazo”, defende.

Alude a um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública, que indica que os custos para o Estado são superiores no caso de não existir tratamento adequado da doença (maior número de baixas, reforma antecipada por invalidez, maior número de idas ao hospital.

“Os medicamentos agora escolhidos não são genéricos. Cada medicamento tem as suas indicações e contra indicações. Pode ser útil ou mesmo prejudicial se administrado em casos inadequados”, acrescenta.

Segundo o hospital, “a terapêutica é naturalmente modificada em função da eficácia do tratamento e da tolerância do doente ao medicamento, razão pela qual existem doentes a quem são prescritos outros fármacos”.

Diz ainda que se está perante “um tratamento injusto, desigual perante doentes do mesmo hospital – antes de agosto e depois de agosto – e doentes de hospitais diferentes.

Os hospitais de Guimarães, Porto, Viana do Castelo, por exemplo, continuam a administrar todos os fármacos existentes, lembra a TEM.

O hospital explica que “por mera precaução, não se procedeu à alteração da medicação dos doentes cujo tratamento já havia sido iniciado”.

Segundo a TEM, o Hospital de Braga tem-se atrasado na entrega da primeira medicação aos novos doentes, alguns dos quais “não estão a ser medicados, após agosto de 2011”.

“Não entendemos esta mudança de política da administração de medicamentos. Entendemos que o objetivo principal e único é diminuir a despesa, sem atender ao tratamento do doente. Existem fármacos na mesma ordem de preços dos que foram escolhidos. Basta atender às informações fornecidas pelo Infarmed”, critica.

Questiona mesmo se o Hospital de Braga ou o Governo se estarão a preparar para mudar todos os doentes para um e um só fármaco.

Pergunta ainda se esta medida será uma forma de “convidar” os doentes a transferirem-se para outros hospitais, nomeadamente alguns privados, como SAMS, IPO Lisboa, Força Aérea, Marinha ou Hospital da Luz.

06 de dezembro de 2011

@Lusa

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