Estes profissionais de saúde dizem sentir-se “maltratados”, “ultrajados” e “desrespeitados” devido a uma decisão do conselho de administração do CHTMAD.

“No meu caso, foi-me efetuado o pagamento de 50% das horas que eu tinha efetuado a mais, para além do meu contrato, mas a um valor normal. As horas suplementares executadas pelos enfermeiros, não existe nenhuma bolsa de horas, têm que ser pagas ao valor de horas extraordinárias e isso não aconteceu. Acabei por perder a remuneração correspondente a esse trabalho executado”, explicou Sara Rego, enfermeira há 17 anos e representante do Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos (SITEU).

Também António Neves, enfermeiro há 24 anos e elemento do SITEU, disse ter sido surpreendido com a folha de vencimento no mês de setembro por causa do “valor que estava lá, inexplicável”, e das horas que lhe foram descontadas. “Nem sabemos quantas horas foram descontadas, nem o valor a quanto é paga a hora”, salientou.

Esta tarde, em frente à sede social do CHTMAD, os manifestantes gritaram palavras de ordem como “Queremos o que é nosso” e “O trabalho tem que ser pago”, e empunharam cartazes onde era possível ler: “Nova forma de escravidão”, “Roubo à descarada”, “Não vamos desistir” ou “Enfermeiros abafados há mais de 20 anos”.

A manifestação de hoje realizou-se em Vila Real, mas na segunda-feira os enfermeiros também se juntaram em frente ao hospital de Chaves. No CHTMAD, que agrega ainda o hospital de Lamego, trabalham à volta de 1.300 enfermeiros.

“O conselho de administração emanou uma deliberação na qual regulamentava a bolsa de horas e é isso que nós viemos aqui contestar, porque os enfermeiros não têm bolsas de horas. As horas que os enfermeiros fazem a mais têm que ser pagas como está na lei, que é em turnos extraordinários”, afirmou Margarida Rodrigues, enfermeira desde 2005 e também sindicalista.

A responsável acrescentou que a deliberação “veio regulamentar algo que não é legal” e que, quando foi colocada em prática, verificaram-se “várias discrepâncias na forma de pagamento dessas horas”.

“Houve horas que os enfermeiros fizeram para além do seu horário normal, que tinham que ser pagas em horas extraordinárias e que tinham desaparecido do seu horário e metade delas foram pagas ao valor normal de serviço”, referiu.

A sindicalista salientou que os enfermeiros sentem que “estão a perder direitos” e, por isso, se sentem “maltratados” pela administração do CHTMAD.

Contactado pela agência Lusa, o conselho de administração do CHTMAD disse que “está interessado em resolver a situação das horas de trabalho dos colaboradores presentes em bolsa de horas”.

E, nesse sentido, acrescentou que se encontra “a trabalhar numa solução que permita salvaguardar tanto os interesses dos trabalhadores como os da instituição”.

O SITEU solicitou a realização de uma inspeção por parte da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e também uma reunião com a administração do CHTMAD, a qual já foi agendada para sexta-feira.

Os enfermeiros dizem acreditar no diálogo com a administração.

“Penso que o caminho vai ser nesse sentido, vamos conseguir chegar a uma conclusão e ver qual é a melhor forma de corrigir este erro”, apontou Margarida Rodrigues.

Mas, se tal não for possível, o sindicato admite avançar com novas formas de luta, que podem passar por uma greve ao trabalho extra ou o recurso à justiça.

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