O estudo, noticiado pelo The Art Newspaper, foi encabeçado por investigadores da Universidade da Califórnia em Davis e indicou que 57% dos participantes nas visitas do programa Art Rx ao Museu Crocker Art, em Sacramento, na Califórnia, referiram uma redução da dor.

A dor diminuiu por um período até três semanas após a visita e a generalidade dos participantes do estudo também indicou redução do isolamento social, uma situação comum provocada pela dor crónica.

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O estudo – que diz ser pioneiro nesta área - abrange apenas uma intervenção num único museu, mas também suscita a reflexão sobre as dimensões sociais da dor, que geralmente são reconhecidas, mas pouco estudadas, segundo os investigadores. “Face ao aumento da dor crónica e uso excessivo de analgésicos opiáceos, é essencial que a componente social da dor seja reconhecida e abordada", defendem.

Durante a visita, os participantes indicaram que a experiência proporcionou distração da sua dor, e que a discussão sobre as obras de arte os fez sentir mais ligados aos outros visitantes.

Dor como foco constante 

Um dos participantes comentou: "Estou a olhar para a arte e já não sou apenas o meu corpo. Estou num espaço de conexão", referindo-se ao facto da dor crónica tornar-se habitualmente num foco constante da mente das emoções dos doentes.

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Os investigadores argumentam que um museu que use o programa como o Art Rx - no qual não estão envolvidos quaisquer profissionais de saúde - pode ser "menos estigmatizante do que a tradicional terapia com arte que envolve tratamento explícito, ou diagnóstico de problemas de saúde".

No estudo, intitulado "The Art of Analgesia: A Pilot Study of Art Museum Tours to Decrease Pain and Social Disconnection Among Individuals with Chronic Pain" ("A Arte da Analgesia: Um Estudo Piloto de Visitas a Museus para Diminuir a Dor e a Desconexão Social Nos Indivíduos com Dor Crónica", em tradução livre), alerta-se que a dor crónica está a tornar-se um dos mais graves problemas de saúde pública.

Os participantes neste estudo tinham uma idade média de 59 anos, 65 por cento eram mulheres, e no seu historial clínico relacionado com a dor, queixavam-se de isolamento social, autoimagem crítica e instabilidade emocional.

Os autores do estudo reconhecem que o número limitado da amostra – 54 participantes, 14 dos quais entrevistados – e o seu desenho geral (sem grupo comparativo ou randomização) o tornam passível de “um viés de seleção”, admitindo a possibilidade de explicações alternativas.

Porém, sendo o primeiro estudo neste sentido, os autores do artigo realçam que se impõem mais investigações para “explorar os mecanismos, duração e fatores de analgesia sociógenica”.

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