Os jovens portugueses usam preservativo? 

Não se sabe ao certo, porque há falta de informação sobre a importância e a prática de sexo protegido (com preservativo) em Portugal. Por isso, a obtenção de dados sobre a prevalência de infeções sexualmente transmissíveis (IST) é fundamental para, numa fase posterior, as autoridades de saúde poderem intervir no âmbito da prevenção.

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É o caso de um estudo que estamos a fazer no Laboratório Nacional de Referência das Infeções Sexualmente Transmissíveis do INSA, com o apoio do Centro de Medicina Laboratorial Germano de Sousa, bioMérieux e Genomica. O rastreio gratuito é dirigido a jovens com idades entre os 18 e os 24 anos que poderão participar de forma anónima.

Para participar basta dirigirem-se a qualquer laboratório da rede Germano de Sousa, onde será efetuada uma colheita de urina. Os participantes poderão receber uma notificação em caso de deteção de qualquer uma das quatro IST abrangidas pelo presente estudo: Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, Mycoplasma genitalium e Trichomonas vaginalis

Se uma pessoa não se sente doente e não parece doente vai continuar a sua vida normal e, provavelmente, manter relações sexuais desprotegidas, transmitindo a infeção aos seus parceiros sexuais

Quais são as doenças mais comuns transmitidas pelo sexo na adolescência?

Entre as infeções mais comuns transmitidas durante as relações sexuais desprotegidas estão o vírus do papiloma humano (HPV), a clamídia, o herpes genital, a gonorreia, o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH)/Sida e a sífilis.

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Quais são as mais perigosas?

A mais conhecida e certamente a mais perigosa é o VIH, que afeta o sistema imunitário tornando a pessoa mais desprotegida relativamente a inúmeras infeções, sendo uma importante causa de morte. Outras IST virais são potencialmente fatais, é o caso das hepatites B e C, que estão relacionadas com o cancro hepático, e do HPV que está na origem do cancro do colo do útero e de outros cancros.

Outras IST, como as que são objeto do presente estudo, são curáveis, ou seja, existe tratamento (antibiótico) que permite eliminá-las. São, contudo, responsáveis por várias patologias como uretrite no homem, e vaginite e endocervicite na mulher. As IST curáveis são muitas vezes assintomáticas, ou seja, a pessoa infetada não tem sintomas ou sinais clínicos evidentes; contudo, as infeções mantêm-se ativas e evoluem, por vezes para situações clínicas graves, sobretudo na mulher, como a gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica ou a infertilidade.

Maria José Borrego, Investigadora e Coordenadora do Laboratório Nacional de Referência das IST
Maria José Borrego, Investigadora e Coordenadora do Laboratório Nacional de Referência das IST créditos: DR

No caso da mulher grávida, as IST curáveis podem ser transmitidas ao feto e causar malformações ou morte fetal (caso da sífilis), ou ao recém-nascido no momento em que atravessam o canal do parto e causar conjuntivite ou pneumonia graves.

Por outro lado, o processo inflamatório e as lesões genitais associadas às IST curáveis, ao herpes genital e ao HPV favorecem a transmissão e a aquisição do VIH. Assim, a pesquisa e o tratamento das IST são essenciais na prevenção do VIH.

Qual é o perigo das doenças assintomáticas?

Se uma pessoa não se sente doente e não parece doente vai continuar a sua vida normal e, provavelmente, manter relações sexuais desprotegidas, transmitindo a infeção aos seus parceiros sexuais.

Por outro lado, as infeções assintomáticas, tal como acima referi, são extremamente perigosas uma vez que não revelando sintomas percetíveis que motivem a ida ao médico por parte das pessoas infetadas, favorecem a evolução da infeção para situações clínicas mais graves, sobretudo para os jovens pois poderão prejudicar, por vezes definitivamente, a sua capacidade biológica para serem pais.

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Qual a importância do diagnóstico atempado das infeções sexualmente transmissíveis?

A deteção e o tratamento precoces são a melhor (senão mesmo a única) forma de evitar complicações de saúde mais graves. O diagnóstico atempado assume, assim, um papel fundamental para evitar a progressão da infeção e, igualmente, a sua transmissão a outras pessoas.

Os jovens sexualmente ativos deveriam regularmente efetuar o rastreio de IST e efetuar o respetivo tratamento

Quais são os riscos decorrentes destes problemas de saúde?

As IST virais são virtualmente incuráveis. No caso da hepatite B e do HPV foi possível desenvolver vacinas que evitam a infeção. No caso da hepatite C houve recentemente um desenvolvimento terapêutico que devolveu esperança de vida aos indivíduos infetados, proporcionando uma elevada taxa de cura.

No caso do herpes genital, os indivíduos ficam portadores do vírus para o resto da vida e terão, regularmente ao longo da vida, episódios de doença ativa. O herpes genital pode, ainda, transmitir-se ao recém-nascido e causar-lhe lesões graves.

No caso do HPV, sabe-se que é fator determinante para o desenvolvimento do cancro do colo do útero em mulheres não vacinadas e está relacionado com o desenvolvimento de outras formas de cancro, nomeadamente nos homens.

Os indivíduos infetados pelo VIH podem, hoje em dia, viver largos anos mas apenas mediante um tratamento com vários efeitos secundários desagradáveis que terão de manter toda a sua vida.

No caso da infertilidade relacionada com doença inflamatória pélvica por Neisseria gonorrhoeae e, sobretudo, por Chlamydia trachomatis, existem implicações económicas e, principalmente, físicas e emocionais muito pesadas, relacionadas com os tratamentos médico-cirúrgicos e com a frustração inerente ao insucesso de sucessivas tentativas falhadas para engravidar.

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Os adolescentes devem fazer alguma consulta médica específica antes de iniciarem a atividade sexual?

Gostaria de salientar que a melhor forma de prevenir as IST é, antes de mais, adotar uma prática sexual mais segura, através da utilização do preservativo.

Depois, sendo a adolescência uma fase marcada pela mudança, a nível psicológico e, sobretudo, fisiológico, nomeadamente no que concerne o desenvolvimento reprodutivo, seria essencial uma consulta médica. Em Portugal os centros de saúde estão dotados de médicos de família, consultas de planeamento familiar, de adolescentes e outras, suscetíveis de orientar os jovens quando iniciam a sua vida sexual ativa.

Os jovens devem ser informados por um profissional de saúde competente, o seu médico, sobre a sua saúde sexual, sobre os riscos associados à atividade sexual e sobre as medidas de prevenção que devem adotar. Os jovens sexualmente ativos deveriam regularmente efetuar o rastreio de IST e efetuar o respetivo tratamento. Tal prática promoveria comportamentos mais seguros e seria, certamente, um importante contributo para a prevenção das IST e a redução do seu impacto em termos de saúde pública.

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