“Nunca esteve em cima da mesa e em momento algum a direção clínica ou o Conselho de Administração deu indicações para a cirurgia geral deixar de ter presença física nas 24 horas do serviço de urgência na composição das escalas”, disse à Lusa Nuno Marques, sublinhando que a prestação de cuidados de saúde à população não foi nunca posta em causa.

Sublinhando que os chefes de serviço que entregaram na quinta-feira uma carta de demissão à administração se mantêm em funções, o responsável disse que os motivos elencados por estes profissionais não são novos e têm vindo a ser alvo de diálogo.

“Os motivos elencados são motivos que se arrastam há vários anos, são situações de constrangimentos quer da estrutura organizacional do serviço de urgência quer da composição das escalas e, de facto, não são uma questão de motivo recente”, disse o diretor clínico.

Sobre a alegada retirada da cirurgia geral da presença física no serviço de urgência, que segundo a Sociedade portuguesa de Medicina Interna tinha sido um dos motivos dos protestos dos internistas do Garcia de Orta, o responsável garante: “Nunca esteve em cima da mesa e em momento algum a direção clínica ou a administração deram indicações para a cirurgia geral deixar de ter presença física nas 24 horas do serviço de urgência na composição das escalas”.

“Houve alguns constrangimentos no último mês, pois tivemos a ausência não esperada de cinco [profissionais da cirurgia geral], que por motivos de saúde e licenças de maternidade deixaram de integrar escalas. Mas temos conseguido colmatar o défice desses cirurgiões e as escalas têm tido a composição habitual com urgência aberta”, explicou.

Depois de a carta ter sido enviada, o diretor clínico reuniu-se com os profissionais em causa, tendo ficado acordado que se manteriam em funções.

“Este processo de diálogo já tinha surgido, da minha iniciativa”, disse Nuno Marques, adiantando que está já agendada uma reunião para o próximo dia 07 de outubro.

“Isto reflete um processo de diálogo que temos de ter, todos em conjunto, tendo em vista o melhoramento das nossas condições assistenciais e de estrutura física e de organização do próprio serviço de urgência”, afirmou, destacando que “em momento algum está em causa prestação de cuidados aos utentes”.

O diretor clínico admite que o serviço de urgência tem alguns problemas, “muitos em resultado da própria estrutura física”, mas sublinhou que se tem conseguido articular o serviço “sempre com o intuito de melhorar o circuito dos doentes na própria urgência”.

“O problema de falta de recurso é transversal a alguns hospitais e nós temos assegurado as escalas nos moldes em que asseguramos há vários anos”, acrescentou.

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna anunciou na quinta-feira que 10 chefes de equipa de urgência do Hospital Garcia de Orta, em Almada, se tinham demitido em bloco, acrescentando que o protesto dos internistas se devia à decisão do Conselho de Administração de retirar a cirurgia geral da presença física no serviço de urgência.

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