O número de crianças e jovens com diabetes está a aumentar, tendo duplicado nos últimos dez anos. Ao todo, só em 2010 morreram em Portugal quase cinco mil pessoas devido a esta doença, segundo dados do observatório da diabetes.

A incidência da diabetes tipo 1 nas crianças e nos jovens tem vindo a aumentar significativamente: em 2010 registaram-se mais de 2.800 casos em jovens até os 19 anos e, no mesmo ano, foram detetados 18 novos casos por cada 100 mil jovens com idades até aos 14 anos, perto do dobro do registado em 2000, revelam os dados do Observatório Nacional da Diabetes a serem hoje apresentados em Lisboa.

De acordo com Luis Gardete, presidente do observatório, embora ainda não exista uma explicação cabal para o aumento da incidência da diabetes tipo 1 (que é uma doença auto-imune), sabe-se que hoje em dia as pessoas estão mais suscetíveis a essas doenças e que os jovens são particularmente vulneráveis por causa da vacinação.

Além disso, a descoberta da insulina veio aumentar a longevidade das pessoas diabéticas, pelo que há uma maior suscetibilidade genética dos seus descendentes, acrescentou.

Também a diabetes tipo 2 está a aumentar em Portugal, mas neste caso devido aos hábitos de vida sedentários e a uma má alimentação, disse Luis Gardete, especificando que este tipo de diabetes tem crescido muito na população entre os 20 e os 39 anos, uma faixa etária que está a aumentar de peso e a ficar gorda.

“A hiperalimentação, rica em gorduras e açúcar e o sedentarismo são os principais fatores de risco para a diabetes tipo 2 e Portugal está nos lugares cimeiros na Europa em excesso de peso”, afirmou.

Ao todo, o número de novos casos aumentou de 377 (em 2000) para 623 novos casos (em 2010) por cada 100 mil indivíduos , sendo que a prevalência da doença neste último ano foi de 12,4% da população com idades entre os 19 e os 79 anos, correspondendo a um total de 991 mil pessoas, embora só tivesse sido diagnosticada em 56% destas.

Através dos dados agora revelados, verifica-se uma diferença significativa na prevalência da diabetes entre os homens e as mulheres: em 2010, situava-se nos 14,7% nos homens e nos 10,2% nas mulheres, uma diferença percentual de 4,5 pontos.

O estudo confirma ainda a existência de uma relação inversa entre o nível de educação e a prevalência da diabetes na população portuguesa, rondando os 30% entre a população analfabeta e os 6,5% entre os que concluíram o Ensino Superior.

A mortalidade por diabetes também tem vindo a aumentar. Na última década, os óbitos por esta doença em Portugal aumentaram 1,5%, passando de 3.133 em 2000 para 4.744 em 2010.

Segundo os dados divulgados pelo Observatório Nacional da Diabetes, também a prevalência da Diabetes Gestacional tem vindo a crescer, tendo sido de 4,4% da população parturiente que utilizou o Serviço Nacional de Saúde durante o ano de 2010, correspondendo a 3.576 casos.

“Há um acréscimo significativo em apenas dois anos, tendo em conta que em 2008 este valor se situava nos 3,3% (nesse ano, os casos totais foram 2.837)”, conclui o estudo.

Entre as boas notícias estão uma redução dos internamentos para os níveis mais baixos da última década e uma diminuição das amputações.

O consumo de medicamentos para a diabetes também tem aumentado, assim como os custos com a doença.

Em 2010, a diabetes representou um custo direto estimado entre 1.150 e 1.350 milhões de euros (um acréscimo de 100 milhões de euros face a 2009).

Por outro lado, considerando o custo médio das pessoas com Diabetes, de acordo com os valores apresentados pela Federação Internacional da Diabetes em 2010, a doença representou um custo de 1.850 milhões de euros, o que corresponde a 1% do PIB português e 11% da despesa em Saúde em 2010.

15 de fevereiro de 2012

@Lusa

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