A Direção Geral da Saúde (DGS) distinguiu, no passado dia 4 de Outubro, o médico e investigador Daniel Serrão com o Prémio Nacional de Saúde pelos «contributos inequívocos» para o desenvolvimento da Anatomia Patológica em Portugal e para «o prestígio das organizações de saúde».

O diretor geral da Saúde salientou à agência Lusa o trabalho desenvolvido pelo médico e bioeticista no âmbito da ética e o seu empenho na «primeira grande reflexão do Serviço Nacional de Saúde».

«O trabalho do professor Daniel Serrão é reconhecido por todos como muito importante no âmbito da ética, mas também presidiu a um conceito de reflexão sobre a reforma da saúde em Portugal que teve a maior importância na segunda metade dos anos 90», adiantou Francisco George.

Daniel Serrão foi distinguido pelos “contributos inequívocos prestados no decurso do seu desempenho profissional” por um “júri independente”, constituído por Walter Alfred Osswald, pelos bastonários das Ordens dos Médicos, Pedro Nunes, e dos Farmacêuticos, Carlos Maurício Barbosa, e pelo diretor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Paulo Ferrinho.

O júri destaca o “notável impulso do laureado para o desenvolvimento da Anatomia Patológica no país, a dedicada atenção concedida à reflexão sobre o futuro, a estrutura e a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde e ainda a sua projeção internacional no campo da patologia e na área da ética médica e da bioética”.

Nascido em Vila Real a 01 de Março de 1928, Daniel dos Santos Pinto Serrão licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em 1951, com 17 valores.

Desde 1971 até 1998, ano da sua jubilação, foi professor catedrático de Anatomia Patológica na Faculdade de Medicina do Porto e director do Serviço de Anatomia Patológica do Hospital de S. João.

Possibilitou que o Serviço de Anatomia Patológica se tornasse uma referência nacional e internacional e no Laboratório de Anatomia Patológica deu início ao uso pioneiro do microscópio eletrónico no diagnóstico de tumores.

Nomeado por Conselho de Ministros (1996) para presidir ao Conselho de Reflexão sobre a Saúde, coordenou a elaboração de um Livro Branco “Recomendações para uma Reforma Estrutural da Saúde”, tendo algumas das propostas sido introduzidas no sistema de saúde português.

Representou Portugal no "Comité Directeur de Bioéthique" e, por escolha pessoal do diretor geral da Unesco, foi designado membro do "International Committee of Bioethics".

Participou na redação da Convenção Europeia dos Direitos Humanos e Biomedicina, foi nomeado pela Academia das Ciências como membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e designado membro da Pontificia Accademia per la Vita, por convite do Papa João Paulo II, em 1994.

Atribuído anualmente pela DGS a 04 de Outubro (data da sua criação em 1899), o Prémio Nacional de Saúde distingue “uma personalidade que tenha contribuído, inequivocamente, para a obtenção de ganhos em saúde ou para o prestígio das organizações de saúde no âmbito do Serviço Nacional de Saúde”.

Fonte: DGS e Lusa

2010-10-06

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