Da mesma forma, 5,2 milhões de bebés poderiam ser impedidos de nascer prematuros ou muito pequenos e com baixo peso para a idade gestacional, conhecidos como recém-nascidos pequenos e vulneráveis, de acordo com quatro artigos publicados hoje pela revista The Lancet.

Os estudos indicam que poderiam ser evitados 566.000 natimortos, assim como a morte de 476.000 casos por óbito neonatal (até 28 dias após o parto).

Oito das intervenções propostas são: fornecer suplementação múltipla de micronutrientes; suplementos energéticos proteicos equilibrados; aspirina; tratamento da sífilis; educação para parar de fumar; prevenção da malária durante a gravidez; tratamento da bacteriúria assintomática e administração de progesterona vaginal.

As outras duas medidas têm eficácia comprovada na redução das complicações do parto prematuro: a administração de corticoide pré-natal e o clampeamento tardio do cordão umbilical.

Os novos estudos fazem parte de uma série publicada pela revista The Lancet sobre recém-nascidos pequenos e vulneráveis.

Dos 135 milhões de bebés nascidos vivos em 2020, um em cada quatro (35,3 milhões) caiu nessa categoria.

Um recém-nascido é pequeno e vulnerável quando nasce muito cedo (antes da 37.ª semana completa de gestação), muito pequeno e/ou abaixo do peso (2.500 gramas).

Estas três vulnerabilidades respondem por 55,3% de todas as mortes neonatais.

Bebés com estas características nasceram em todos os países, mas a maioria foi na África subsaariana e no sul da Ásia, destaca a publicação científica, citada pela agência Efe.

Os autores enfatizaram que, em todas as regiões, o progresso na redução da prematuridade e do baixo peso ao nascer está numa linha plana e fora dos objetivos.

O Objetivo Global de Nutrição exige uma redução de 30% nos bebés com baixo peso ao nascer até 2030, em comparação com a linha de base de 2012, mas a taxa de redução anual estimada é de apenas 0,59%.

Numa chamada global à ação, os cientistas defendem cuidados de maior qualidade para mulheres durante a gravidez e o parto e, especificamente, para ampliar as intervenções citadas durante a gravidez em 81 países de baixo e médio rendimento.

Estimativas indicam que aproximadamente 32% dos natimortos poderiam ser evitados dessa forma, 20% das mortes de recém-nascidos e 18% de todos os nascimentos de bebés vulneráveis nesses países, indica The Lancet.

Além disso, com mais de 80% dos partos a ocorrerem em estabelecimentos de saúde, os autores enfatizam que já há espaço para melhorias na recolha e uso de dados.

Desta forma, garante-se que cada gravidez seja datada com a idade gestacional exata e que todos os recém-nascidos – bem como os natimortos – sejam pesados e classificados por tipo de vulnerabilidade.

Além de ajudar a garantir atendimento de boa qualidade, os estudos indicam que uma melhor recolha de dados é essencial para relatar o progresso e gerar responsabilidade.

Contar os natimortos é importante para perceber toda a responsabilidade, pois novas análises mostram que 74% dos natimortos nasceram prematuros num subconjunto de países.

O principal autor da série de artigos, Per Ashorn, da Universidade de Tampere, na Finlândia, observou que, apesar de vários compromissos globais e metas destinadas a reduzir os resultados desde 1990, “um em cada quatro bebés no mundo ‘nasce muito pequeno’ ou ‘nasce cedo demais’.

Ashorn acrescentou que os novos estudos sugerem que o conhecimento agora está disponível para reverter a tendência atual.

“Precisamos de atores nacionais, com parceiros globais, para priorizar urgentemente a ação, defendê-la e investir nela”, frisou.

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