“Essa questão não está ainda definida. Esse tipo de decisões depende de uma articulação, no caso da Espanha, entre o nosso ministro da Administração Interna, ministro dos Negócios Estrangeiros e o ministro do Interior espanhol e com certeza que não haverá nenhuma decisão sem a concordância de todas as partes. É uma decisão que está a ser ponderada e avaliada e estudada”, disse António Lacerda Sales.

O governante, que falava na conferência de imprensa diária de balanço sobre a pandemia de covid-19 em Portugal, comentou assim o anúncio por Espanha de uma reabertura da fronteira comum a 22 de junho, reiterando as palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros português que esta manhã sublinhou que quem decide sobre a reabertura da fronteira portuguesa “é naturalmente Portugal”.

“Fomos surpreendidos com estas declarações da ministra responsável pelo Turismo [de Espanha], que ‘anuncia’ a reabertura da fronteira entre Portugal e Espanha para o próximo dia 22 de junho”, disse Augusto Santos Silva à Lusa, frisando que o anúncio “não se inscreve” no quadro de "cooperação estreita" entre os dois Governos para a gestão da fronteira comum.

“Quem decide sobre a abertura da fronteira portuguesa é naturalmente Portugal e Portugal quer fazê-lo em coordenação estreita com o único Estado com o qual tem uma fronteira terrestre, Espanha”, acrescentou, precisando que já estão a ser pedidos "esclarecimentos ao Governo de Espanha".

A ministra da Indústria, Comércio e Turismo espanhola, Reyes Maroto, anunciou hoje que Espanha vai levantar as restrições à entrada de pessoas nas fronteiras com Portugal e França a partir de 22 de junho.

"No caso de França e de Portugal, quero confirmar que a partir de 22 de junho as restrições à mobilidade terrestre serão eliminadas", disse a ministra, num encontro com a imprensa internacional, acrescentando que "em princípio, as quarentenas serão eliminadas".

O Governo espanhol antecipa assim a data de abertura das fronteiras em uma semana, depois de ter anunciado em 25 de maio que ia levantar as restrições ao movimento de pessoas, nomeadamente a turistas estrangeiros, apenas em 1 de julho.

António Lacerda Sales também foi convidado a explicar como está a ser feito o controlo de passageiros e sintomas nos aeroportos e quais as medidas que virão a ser implementadas, tendo referido que “estão a ser estudadas novas formas” para acompanhar o “possível aumento de voos”, mas sem especificar quais.

“Estivemos a fazer controlo de temperaturas nos aeroportos. Neste momento, dada a redução dos voos mantém-se algum controlo, mas já não com equipas do INEM que foram retiradas, mas ficaram em segunda linha de prevenção. Obviamente que com o potencial aumento de reabertura, terão de ser estudadas novas formas de poder fazer esse controlo”, descreveu.

Portugal contabiliza pelo menos 1.455 mortos associados à covid-19 em 33.592 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgado hoje.

Relativamente ao dia anterior, há mais oito mortos (+0,6%) e mais 331 casos de infeção (+1%).

O número de pessoas hospitalizadas subiu 428 para 445, das quais 58 se encontram em unidades de cuidados intensivos (mais duas).

O número de doentes recuperados é de 20.323.

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