Perante as recentes críticas que se registaram entre as duas partes, face ao recrudescimento de óbitos, infeções e internamentos hospitalares nas últimas semanas na região de Lisboa e Vale do Tejo, sobretudo, o líder do conselho que reúne a academia portuguesa na área da medicina salientou à agência Lusa que os governantes deveriam alargar também o leque de pessoas e entidades a consultar para se alcançar uma melhor gestão da crise sanitária no país.

“Era importante os políticos ouvirem de uma forma mais abrangente e não apenas aqueles por si nomeados ou que fazem parte do círculo mais fechado. Deviam ouvir ainda as academias. Era importante haver uma aliança, seria mau existir um antagonismo [entre políticos e cientistas]”, afirmou, reiterando que “ordens, entidades científicas e academias têm uma maior independência do poder político”.

Sublinhando que “a ciência não se compadece com a matriz política tradicional”, Fausto Pinto defendeu que a colaboração entre decisores e comunidade científica “é fundamental” para atenuar a incerteza associada a situações sobre as quais não se dispõe de toda a informação.

“Este não é um problema político, é um problema de saúde pública. E os políticos não estão habituados a isto, não estão habituados à incerteza da ciência”, assinalou.

O presidente do CEMP notou ainda “alguma precipitação” no processo de desconfinamento - não só pelo “desacerto de números e de coordenação de estratégias”, mas também devido a alguma “falta de pedagogia” e um certo “excesso de otimismo” -, considerando que nesta fase “os números falam por si” e “não são nada positivos” para Portugal.

“Há a necessidade de uma maior coordenação e uma estratégia mais bem definida, sobretudo, ao nível das estruturas de saúde pública, da identificação dos casos positivos e da existência de uma rede adequada no terreno”, observou, acrescentando: “A única forma de ultrapassarmos isto é se as pessoas cumprirem as regras. Ninguém quer voltar ao confinamento, mas se isto correr muito mal pode não haver outra solução”.

Em simultâneo, Fausto Pinto reconheceu que o passo seguinte da gestão da pandemia pode mesmo passar por outros intervenientes ao nível da coordenação das autoridades de saúde.

“Tínhamos todas as condições para sermos um bom exemplo e com aquela pressa toda estamos a ser agora um mau exemplo. Ficámos mal na fotografia e é preciso corrigir com as pessoas adequadas. Recorrendo a uma linguagem futebolística, às vezes são precisas ‘chicotadas psicológicas’. Albert Einstein dizia que as mesmas soluções para os mesmos problemas dão os mesmos resultados. Se calhar, é preciso haver também algumas mudanças”.

Sobre a evolução do combate ao novo coronavírus, o também diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa lembrou que são precisas semanas para ver resultados e que as decisões não podem ser tomadas em função da sua popularidade junto da população, sob pena de agravar a posição do país em relação aos demais parceiros europeus.

“O controlo vai depender muito da capacidade que as nossas autoridades de saúde e o Governo tiverem de poder enfrentar esta situação com medidas assertivas e uma boa organização, que permita no terreno a identificação das cadeias, a realização dos testes, e a pedagogia junto das pessoas. Há todo um trabalho que se não for feito de forma coordenada pode evoluir para uma situação mais complexa. Não se pode baixar a guarda”, concluiu.

Portugal contabiliza pelo menos 1.620 mortos associados à covid-19 em 44.129 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 535 mil mortos e infetou mais de 11,52 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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