Na norma relativa à vacina da AstraZeneca hoje atualizada, de forma a permitir a sua utilização sem reservas a partir dos 18 anos, a DGS sublinha que tal decisão se deve à segurança, qualidade e eficácia comprovadas.

"Esta decisão tem suporte na divulgação de dados conhecidos nos últimos dias, que indicam que a vacina da AstraZeneca é eficaz em pessoas com mais de 65 anos", escreve a DGS.

Na informação hoje divulgada, a DGS diz que os novos estudos conhecidos mostraram, “com base em metodologias científicas robustas, que a vacina da AstraZeneca é eficaz em indivíduos com 70 ou mais anos, quer na prevenção da covid-19, quer na redução das hospitalizações por esta doença, reforçando os dados iniciais de que esta vacina é capaz de produzir anticorpos eficazes no combate à infeção por SARS-CoV-2, mesmo em pessoas mais velhas”.

Esta decisão foi tomada após análise destes novos dados pela Comissão Técnica de Vacinação contra a covid-19 da DGS e do parecer do Infarmed.

Na norma relativa à vacina da AstraZeneca publicada em fevereiro, a DGS informava que o esquema vacinal recomendado é de duas doses, com intervalo de 12 semanas, e lembrava que, se após a 1.ª dose for confirmada infeção por SARS-CoV-2, "não deve ser administrada a 2.ª dose".

Se foi administrada a 1.ª dose a uma pessoa que tenha estado infetada por SARS-CoV2 não deve ser administrada a 2.ª dose, dizia ainda a DGS.

Sobre a gravidez e amamentação, a norma da DGS refere que "não existem dados sobre a administração desta vacina durante a gravidez" e que estudos feitos em animais "não indicaram efeitos negativos no feto ou na grávida".

"Se os benefícios esperados ultrapassarem os potenciais riscos para a mulher, a vacina poderá ser considerada, por prescrição do médico assistente. Não é necessário evitar a gravidez após a vacinação".

A DGS lembrava ainda que se desconhece se a vacina é excretada no leite humano, frisando que, "por ser uma vacina de um vetor viral geneticamente modificado sem capacidade replicativa, não é expectável a existência de efeitos adversos na criança amamentada, à semelhança das vacinas inativadas".

Garantia ainda que as mulheres que estejam a amamentar e sejam pertencentes a grupos de risco podiam ser vacinadas e que não se recomendava parar a amamentação após a vacinação.

A vacina da AstraZeneva é constituída por um vetor viral (adenovírus) geneticamente modificado, sem capacidade replicativa, "não havendo por isso contraindicação à sua administração em pessoas com imunodeficiência, à semelhança das vacinas inativadas", acrescenatava a DGS.

Nesta vacina é introduzido no corpo um mensageiro de ácido ribonucleico (mRNA na sigla em inglês), que contém informação genética sobre o vírus e engana o corpo para que seja ele próprio a produzir a proteína do agressor.

Quanto às pessoas com doença autoimune ou autoinflamatória, não existe evidência de que a vacinação cause agravamento ou precipite crise aguda.

Segundo a informação divulgada na terça-feira pela DGS, mais de 293 mil portugueses têm a vacinação contra a covid-19 completa com as duas doses. Já foram administradas um total de 1.032.907 vacinas desde 27 de dezembro.

O último relatório do processo de vacinação em Portugal continental refere que 293.245 pessoas - 3% da população - receberam até terça-feira as duas doses das vacinas da AstraZeneca e da Pfizer.

O mesmo documento acrescenta que 739.662 pessoas já foram vacinadas com a primeira dose, mais 133.974 do que na semana anterior, o que representa 8% da população.

Até domingo, Portugal tinha recebido um total de 1.186.389 vacinas contra o vírus SARS-CoV-2, tendo sido distribuídas pelos pontos de vacinação do país 1.078.103 doses.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.600.802 mortos no mundo, resultantes de mais de 117 milhões de casos de infeção.

Em Portugal, morreram 16.595 pessoas dos 811.306 casos de infeção confirmados, de acordo com o mais recente boletim da DGS.

A doença é provocada por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019 em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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