O primeiro: conseguir o apuramento. Só os melhores dos melhores é que o conseguem. Caso seja alcançado o primeiro, honrar ao máximo o país que se leva ao peito (e às costas). E se possível, uma medalha.

Superação diária, tristezas e batalhas que só os próprios atletas conseguem explicar. Os profissionais de saúde, têm a sorte de acompanhar o trajeto destes atletas de elite. Nos bons e maus momentos. E quando se fala em superação diária, não é no papel. É em treino, suor e lágrimas. Emitir uma opnião, é algo que fazemos rotineiramente, seja de forma oral ou escrita. Mas é muito difícil pôr em papel, o esforço de um atleta olímpico.

Há uma visão geral e linhas orientadoras que todos os profissionais de saúde devem assegurar para que estes atletas atinjam os seus objetivos. Os seus e os de uma nação, infelizmente despreocupada com a maior competição mundial.

Tendo em conta cada atleta, é adequado realizar uma avaliação da endurance cardio-respiratória, aptidão músculo-esquelética, peso e composição corporal, flexibilidade e relaxamento neuromuscular. Para além destes aspetos, o profissional de saúde deve considerar o exame subjetivo do atleta, bem como os seus fatores de risco, lesões prévias, motivações e objetivos. É fundamental, estabelecer padrões de treino e estratégias de prevenção de lesão, onde se integram o aquecimento, flexibilidade, treino e força muscular, bem como o equipamento desportivo mais adequado.

Tipos de treino

Relativamente aos tipos de treino que são utilizados para a preparação de uma grande competição, o treino aeróbio permite melhorias na endurance do atleta e na aptidão para fazer repetidamente esforços de alta intensidade.

O objetivo do treino anaeróbio assenta no aumento do potencial do atleta, de modo a que este consiga efetuar exercícios de alta intensidade.

O treino intervalado permite um melhor rendimento no exercício de alta intensidade e pode ser promovido, intercalando-o com períodos adequados de repouso.

O treino de endurance cardiosvascular tem repercussões a nível cardiovascular, nomeadamente, aumento das trocas gasosas, devido ao aumento das unidades alveolares recrutadas.

O objetivo global do treino de força muscular é desenvolver a constituição muscular do atleta, enquanto que os objetivos específicos do treino de força assentam no aumento da produção de potência muscular durante atividades de alta intensidade. Por outro lado, visam evitar lesões e recuperar a força após uma lesão. As linhas orientadoras do treino de força têm várias referências como: a seleção do exercício, a frequência do treino, séries, repetições, resistência, progressão da carga, velocidade de execução, amplitude dos exercícios e respiração normalizada durante o exercício.

A preparação tem de ser delineada ao pormenor, tendo em conta cada atleta e a modalidade praticada.

A 31.ª edição do maior evento desportivo mundial decorre de 5 a 21 de agosto de 2016, na cidade do Rio de Janeiro e conta com 42 modalidades.

O povo português, costuma ter uma grande exigência, que por vezes não se iguala ao esforço proporcionado pelo estado, nem à atenção dada aos atletas durante o ano. A poucos dias de se iniciar nova edição dos Jogos Olímpicos, só se fala no Campeonato da Europa de futebol. É bom sinal, visto que se conseguiu atingir a final da competição, mas há outros Campeonato da Europa a decorrer como o de Atletismo que se realiza em Amesterdão, de 6 a 10 de julho de 2016 e é um bom indicador para os Jogos Olímpicos.

Várias medalhas

São tantos os atletas que já nos deram alegrias neste campeonato e quase nunca são falados, tais como: Fernanda Ribeiro, Rosa Mota, Paulo Guerra, Naide Gomes, Manuela Machado, Carla Sacramento, Francis Obikwelu ou mais recentemente Nélson Évora e Dulce Félix (que conquistou a medalha de prata neste Europeu de Atletismo).

Portugal, já tem várias medalhas em Jogos Olímpicos. Em Londres, foi conquistada apenas uma (de prata) na modalidade de canoagem (Fernando Pimenta e Emanuel Silva). Foi de prata, mas até podia ter sido ouro, já que ficaram a apenas 53 milésimos da dupla húngara, que conquistou o ouro. Pode ser que seja este ano...

De facto, tendo atletas de eleição, é fácil pedir medalhas. Mas não se pode exigir que as consigam. Por exemplo, Nélson Évora e Telma Monteiro vêm de períodos de recuperação prolongados. Mas, nenhum desiste.

O primeiro em 2015, conseguiu a medalhada de bronze no triplo salto dos mundias de atletismo com 17,52 metros.

A judoca também é uma das favoritas a conquistar uma medalha. Sinal de força e perseverança, mesmo após já ter sido cinco vezes campeã europeia e quatro vezes vice-campeã mundial, não desiste.

Há outros casos, que ficarão para sempre na história do desporto. A dupla angolana André Matias e Jean-Luc, conseguiu um feito inédito: conseguir o apuramento para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016. Tendo em conta que o remo angolano nunca tinha conseguido nas edições anteriores marcar presença e que em 2011 e 2013, André Matias teve de ser submetido a intervenção cirúrgica à anca direita e posteriormente à anca esquerda... o sonho superou todas as dificuldades encontradas. E o espírito olímpico é também esse.

Para os menos atentos, por exemplo, Usain Bolt (o super atleta de velocidade jamaicano) lesionou-se a apenas 1 mês dos Jogos Olímpicos. Tem uma lesão grau I na região posterior da coxa (músculos isquio-tibiais). O tempo de recuperação não deverá ser superior a 1 semana de tratamento, mas em provas de velocidade pode ser decisivo para o resultado final. Será um escândalo se não vencer o ouro nos 100 e/ou 200 metros? Na visão de um profissional de saúde, não. Mas caso isso venha a acontecer, será capa de todos os jornais! Talvez mais, do que todas as medalhas de ouro já conquistadas. E é também aqui, que os atletas olímpicos não são suficientemente valorizados.

Não nos podemos esquecer que os atletas não são máquinas e que necessitam de um acompanhamento contínuo técnico e de saúde, de forma a otimizar o seu rendimento desportivo.

Por Sérgio Loureiro Nuno, Fisioterapeuta

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