O Programa Leme, segundo o presidente da Associação Portuguesa para a Intervenção com Animais de Ajuda Social (Ânimas), Abílio Leite, "é pioneiro em Portugal em intervenções assistidas por animais com utentes internados em Psiquiatria Forense", tendo na primeira fase integrado internados "com idades entre os 22 e 65 anos".

"A ideia partiu do hospital que nos pediu para criar um programa específico para os internados na unidade de internamento de Psiquiatria Forense do Hospital Magalhães de Lemos, inaugurada em dezembro de 2019, porque Portugal era considerado um mau exemplo no que diz respeito aos inimputáveis, pois nunca iriam sair das prisões", relatou à Lusa o responsável da associação.

A criação destas unidades em Lisboa, Coimbra e Porto, explicou, "visou permitir aos inimputáveis passarem das prisões para unidades específicas", sendo acompanhados por um programa que pretende "preparar a passagem para a reintegração na comunidade".

O convite para o programa não chegou, contudo, acompanhado de apoios, relatou Abílio Leite, que depressa foi confrontado com a informação de que "o Estado não tinha dinheiro", acabando por "ter de ser a Ânimas a suportar os custos do programa".

"Entendemos que podíamos criar aqui um programa de referência no que se refere às intervenções assistidas por animais e, tendo em conta os nossos fins, nomeadamente a questão da responsabilidade social, decidimos avançar para um programa totalmente suportado por nós. Ao todo custou-nos 5.500 euros", disse.

Foram realizadas 25 sessões, num total de 50 horas, divididas por duas duplas, constituídas por duas psicólogas e dois cães. A Bonny (Epagneul Breton), a Fly, (Labrador), o Raymmi e a Bléqui (ambos rafeiros) foram os cães que intervieram de forma alternada no programa, descreveu o presidente da associação.

O Leme iniciou-se em fevereiro, foi interrompido durante o período que durou o confinamento, antes de ser retomado em junho para a sua conclusão ocorrer em agosto, refere o comunicado da associação.

A Lusa tentou obter declarações por parte do hospital, mas não foi possível até ao momento.

Tendo como objetivo "fazer com que os inimputáveis reganhem competências sociais, como seja saber esperar pela sua vez, respeitar o próximo ou saber ouvir", os resultados do programa "são francamente positivos", frisou Abílio Leite.

"Eles ficaram muito animados e querem um segundo programa para poderem continuar a avançar", contou o dirigente da associação, que revelou ainda "aguardar autorização do tribunal para integrar um dos internados no curso de intervenções assistidas para que se possa avaliar como funciona fora do Magalhães Lemos".

A interação decorreu nas instalações do hospital - antes do confinamento determinando pelo combate à covid-19 numa sala e depois ao ar livre - e "promoveu atividades diversas que os ensinaram a treinar os cães e a desempenhar jogos de equipa, entre outras estratégias", disse.

"Estamos a preparar uma segunda fase do programa, que ainda não tem data marcada, mas iremos continuar a trabalhar com eles, às nossas custas", sublinhou Abílio Leite.

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