As bactérias com maior mobilidade e que se multiplicam mais rapidamente são menos infeciosas do que as capazes de invadir e/ou destruir células do sistema imunitário, segundo um estudo hoje divulgado.

O estudo foi elaborado por dois grupos de investigação, do Instituto Pasteur (França) e do Instituto Gulbenkian de Ciência e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e dos quais fazem parte os investigadores portugueses João Gama, Eduardo Rocha, do Instituto Pasteur, e Francisco Dionísio, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Instituto Gulbenkian de Ciência.

Em declarações à agência Lusa, Francisco Dionísio explicou que com este estudo concluíram que as bactérias “com maior mobilidade, que se multiplicam mais rapidamente e que comunicam umas com as outras são menos infeciosas do que as que são capazes de invadir e/ou destruir células do sistema imunitário do hospedeiro”.

“Porque as bactérias com mais mobilidade precisam de maior número de bactérias para atingir o sistema imunitário, ou seja, só causam infeções quando reúnem elevados níveis de células bacterianas”, frisou.

Como exemplo, o investigador citou o caso da “´mycobacterium tuberculosis` que, para causar tuberculose precisa apenas de 10 bactérias, enquanto são necessárias dezenas de milhões de células de ´vibrio cholera` para causar cólera num hospedeiro”.

Os resultados do estudo, realizado em dois anos e meio e que abrangeu 48 espécies de bactérias patogénicas – algumas de várias estirpes da mesma espécie – “têm implicações em saúde pública, já que ajudam a identificar padrões atuais na capacidade de infeção das bactérias, e contribuem para prever a evolução da capacidade de as bactérias provocarem infeção no futuro”, acrescentou Francisco Dionísio.

Sublinhou que o estudo permitiu concluir que as bactérias que têm uma dose infeciosa baixa são as que conseguem invadir e destruir o sistema imunitário “porque penetram nas células do sistema imunitário”.

Estes resultados são ainda importantes no contexto de guerra biológica, explicou o investigador.

“É o caso do antrax que necessita de cerca de 10.000 células, o que é pouquíssimo, porque representa menos de um miligrama de pó”, explicou.

A Salmonela e meningite bacteriana – tal como tuberculose e antrax – são outras das bactérias que necessitam de baixos níveis de bactérias para causar infeção enquanto a pseudomonas precisa de um “elevadíssimo” número de bactérias para causar infeção, explicou o investigador.

Este estudo foi publicado na última edição da revista PLoS Pathogens, uma revista norte-americana científica on-line de acesso gratuito.

27 de fevereiro de 2012

@Lusa

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