Em declarações à Lusa, o presidente da instituição – também conhecida como Associação de Apoio ao Doente com Cancro Digestivo –, Vítor Neves, denunciou a “tendência de adiamento do rastreio de base populacional do cancro do intestino”, um rastreio que é “uma atitude preventiva que pode detetar a doença a tempo de ser estabilizada”.

Relatou que, em dezembro de 2016, a população foi informada que o rastreio ia começar, numa zona piloto no norte do país, sendo depois replicado noutras zonas do país, e em julho de 2017, a Administração Regional da Saúde (ARS) Lisboa e Vale de Tejo deu um “anúncio informal” de que o rastreio ia começar em “quatro centros de saúde em Setúbal”.

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Porém, diz saber agora, que “não há um rastreio de base populacional” e sente que os projetos piloto do Norte não estão a ter “replicações no resto do país”.

Rastreio parado?

“Sentimos que a ARS centro tem o rastreio parado. A parte mais grave é que as colonoscopias necessárias, de quem tem positividade de sangue oculto nas fezes, não estão a ser conseguidas no prazo mínimo expectável, que seriam de três a quatro emanas. As reclamações de pacientes é que colonoscopias estão a demorar meses a serem marcadas, o que contraria a filosofia do rastreio e da sobrevivências das pessoas, que precisam de confirmar se é uma doença oncológica”, denunciou.

Está no orçamento nacional de saúde e faz parte do contrato-programa de cada hospital, uma verba para o rastreio de cancro do cólon retal, cabendo aos “hospitais centrais e ARS contratualizar, no princípio de cada ano, o número de colonoscopias disponíveis” para fazer o seguimento do rastreio, destacando o IPO do Porto, como “uma anomalia positiva, porque vai funcionando”.

“Os outros [hospitais] não conseguem dentro do prazo estipulado, tem de ser feito fora das horas de trabalho presumo, porque as listas de espera estão cheias. Isso os hospitais saberão. O que sabemos é que os utentes não estão a fazer, dentro do prazo estipulado as colonoscopias, no tempo determinado. Meses à espera de uma colonoscopia é um risco muito grande para a vida das pessoas”, sublinhou.

Em Portugal, surgem cerca de oito mil casos por ano de cancro do cólon retal, resultando em quatro mil mortes anuais – 11 por dia –, uma doença “que demora seis a oito anos a progredir, em que a faixa etária mais incidente é a partir dos 50 anos” e, embora o número de doentes esteja “a aumentar todos os anos”, “há uma forma de atenuar a mortalidade”.

“A maior parte das doenças neoplasias já se estabilizam hoje em dia. Havendo um rastreio que tem o melhor custo/benefício, o rastreio de ocultação de sangue nas fezes é barato, tem o beneficio de encontrar a doença no estadio inicial, o que vai poupar vidas, custos sociais ao país, milhões de euros em tratamentos às pessoas, que mais tarde vão necessitar de cirurgias, quimioterapias, radioterapias, custos de baixas medicas e laborais. São estas as consequências”, declarou.

Estas colonoscopias são importantes porque, caso seja detetada positividade de sangue oculto nas fezes, “há uma grande probabilidade de ser uma doença neoplasia”, ou seja, não havendo rastreios a situação “agrava-se todos os dias, pondo em causa vidas humanas”.

“Pode ser verdade ou não, mas existe essa probabilidade. A ser positiva, meses de espera por uma colonoscopia que vai determinar se existe [doença neoplasia], são mais uns meses que fazem progredir a doença. Uma doença neoplasia tem que ser tratada o mais rápido possível. Quantos mais meses progride sem tratamento, mais riscos existem para a vida das pessoas”, indicou.

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