O secretário geral da Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas (ANEBE) ficou "surpreendido" com a proposta de António Pires de Lima de haver uma distinção entre bebidas alcoólicas para a idade legal de 16 para 18 anos.

Mário Moniz Barreto defende que não existe álcool "mais ou menos perigoso", rebatendo a proposta do presidente da Associação Portuguesa de Produtores de Cerveja que defendeu que a idade legal para o consumo de vinho e cerveja deve ser diferente da das bebidas espirituosas e manter-se nos 16 anos.

"Ficamos um pouco surprendidos, até porque colaboramos ativamente com a Associação de Produtores de Cerveja em torno da consciencialização em relação à questão da idade para a aquisição de bebidas alcoólicas passar para os 18 anos", refere Mário Moniz Barreto.

O secretário geral da ANEBE, em declarações à Lusa, adianta que "os problemas relacionados com o abuso ou com o consumo excessivo ou com o consumo irresponsável de bebidas alcoólicas não tem a ver com o tipo de bebida em si mas sim com a bebida em geral".

E para dar o exemplo, Mário Moniz Barreto cita o último relatório do programa governamental 'Stop' em que "a esmagadora maioria dos condutores" detetada com taxa de alcoolemia considerada crime - mais de 1,2 gramas por litro de sangue - "quando questionados sobre que tipo de consumo que fizeram, mais de 80 por cento admitem que o consumo foi de cerveja".

A ANEBE, segundo o seu secretário geral, não quer passar "a mensagem de que há um álcool ideal para introdução, o que há é bons comportamentos e maus comportamentos em relação às bebidas alcoólicas".

Perante a proposta de António Pires de Lima, a distinção entre "álcool mais perigoso e menos perigoso" não poderá "estar ligada ao teor alcoólico da bebida em si", já que se pode passar a mensagem "aos mais jovens de que há um álcool para adultos e para menos adultos, o que leva a que os jovens desejem mais o álcool para adultos".

O representante das bebidas espirituosas refere que é a favor "da elevação da idade para a aquisição de bebidas alcoólicas dos 16 para os 18 anos", pois "é uma medida que fará todo o sentido desde que seja para todas as bebidas alcoólicas e não discriminando entre elas porque aí sentimos que o efeito será exatamente o oposto que a lei pretende atingir".

António Pires de Lima mostrou-se na quarta-feira preocupado com as medidas “proibicionistas” que o Governo quer adotar, sublinhando que “não se deve misturar a cerveja e o vinho” na legislação que se pretende aplicar às bebidas de álcool destilado, e defendeu a manutenção da atual idade legal para os primeiros dois casos, até porque essa é uma prática que já existe.

“Se [os jovens não beberam bebidas alcoólicas] antes dos 18 anos, serão seguramente casos estranhos. Preocupa-me haver ministros que não experimentaram o que é beber uma cerveja antes dos 18 anos”, acrescentou.

O Governo está a analisar medidas para diminuir o consumo de álcool que incluem o aumento da idade legal de 16 para 18 anos, a proibição de venda de bebidas em gasolineiras entre as 00:00 e as 07:00 e a diminuição da taxa de alcoolemia máxima de 0,5 para 0,2 gramas por litro para os condutores encartados há menos de dois anos.

08 de junho de 2012

@Lusa

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