Cristina Pombo é a primeira portuguesa a fazer o curso de especialização em Homeopatia com o Prof. George Vithoulkas, galardoado em 1996 com o Prémio Nobel Alternativo pelo trabalho desenvolvido na ciência da Homeopatia.

Tem repartido os últimos 12 anos da sua vida entre Lisboa e o Reino Unido (onde esta medicina alternativa é comparticipada pelo Serviço Nacional de Saúde inglês desde os anos 40) e dedica-se fundamentalmente à prática clínica e ao ensino da Homeopatia.

Depois de vários anos (20) por dentro da medicina convencional, Cristina rendeu-se à Homeopatia ao compreender este tipo de medicina usado por mais de 450 milhões de pessoas no mundo (dados de 2007 da Organização Mundial de Saúde) que trata sem antibióticos, anti-inflamatórios, anti histamínicos, ansiolíticos, antidepressivos ou corticoides, problemas de saúde tão distintos como processos inflamatórios/infecciosos, ansiedade, depressão, problemas de desenvolvimento na infância, défice de atenção na idade escolar, problemas com a menopausa, fibromialgia ou artrite reumatoide.

Cristina prepara-se agora para lançar o livro "Homeopatia - uma medicina alternativa", onde procura informar, de modo simples e com linguagem acessível o que é Homeopatia, como surgiu, o que são medicamentos homeopáticos, como atuam e o que tratam.

Fomos conhecer a autora e o que a motivou a trocar a medicina convencional pela alternativa, entre outros temas ligados à Homeopatia.

Porquê usar a Homeopatia?

Há muitas razões para querer usar Homeopatia. Na maior parte das famílias é pelo cansaço e/ou informação de que os seus filhos estarem constantemente doentes e a tomarem antibióticos, anti histamínicos, anti inflamatórios, corticóides, bronco dilatadores etc., talvez não seja nem normal nem o melhor para a sua saúde (...). A procura de uma resposta eficaz para os problemas de saúde dos filhos, depois de já terem experimentado vários especialistas, feito inúmeros testes e dado quantidades industriais de medicamentos químicos às crianças e elas continuarem constantemente doentes.

Depois a fase seguinte é, já na idade escolar, as crianças já não ficarem doentes da parte física mas passam a estar alteradas na parte mental; temos então a fase dos modernos síndromes de falta de atenção e hiperatividade. Há pais que recorrem nesta fase à minha ajuda porque têm o discernimento de perceberem os efeitos secundários que os medicamentos químicos prescritos para este efeito têm e querem tentar outra solução.

Depois já em adultos, é um rol de doenças crónicas, degenerativas, auto-imunes etc., para as quais a medicina convencional tem uma resposta muito limitada e sempre baseada na supressão de sintomas durante anos ou até ao fim da vida e que normalmente levam ao desencadear de outras situações patológicas.

A Homeopatia tem uma abordagem ao doente completamente diferente. Não suprimimos sintomas, tentamos ver a origem do problema, do desequilíbrio que leva ao desencadear das patologias, a sua relação no tempo e perceber a ligação da parte mental, emocional e física. E vamos corrigir esse desequilíbrio com um medicamento que estimula o sistema imunitário especificamente para esse problema nesse doente, começando pelo que é mais recente e andando para trás no tempo como se descascássemos uma cebola, em que cada camada é um nível diferente de afeção física ou emocional. Por isso dizemos que não tratamos doenças mas sim doentes, cada caso é um caso diferente, com a especificidade de que todo o indivíduo que é único tem.

O que é que a Homeopatia pode fazer por um doente?

Pode melhorar o nível de saúde e, portanto, a qualidade de vida de uma forma surpreendente, o tempo que leva a que isto aconteça depende normalmente da idade e do estado de saúde global bem como do tipo de afeções de que o doente padece. Por exemplo, uma criança com situações recorrentes, normalmente de 2 em 2 semanas com infeções/inflamações tipo - otites, amigdalites, bronquiolites ou situações de asma ou problemas de desenvolvimento pode levar entre meses a anos a ficar doente apenas uma vez por ano, o que em número de consultas pode ir de 2-3 a 6-8.

No caso de doenças crónicas de todo o tipo de etiologias normalmente demora um pouco mais de tempo, pois a saúde do doente também levou mais tempo a deteriorar-se. Mesmo assim depende de cada caso. Para dar um exemplo, tenho um caso de fibromialgia diagnosticado por um reumatologista que se arrastou anos e que eu resolvi com um medicamento, tenho outro caso que levou cerca de 2 anos a resolver e foram necessários vários medicamentos.

Outro aspeto importante que acho valer a pena salientar porque a maioria das pessoas desconhece, é que a Homeopatia bem aplicada consegue ser super útil em casos de urgência como por exemplo, no caso de entalões de extremidades, queimaduras, quedas, pancadas e traumatismos, intoxicações alimentares e gastroenterites, ataques de pânico e choque em casos de acidente por exemplo, golpes de sol, distensões e torções etc.

No seu prefácio indica que o número de utilizadores a nível mundial é de cerca de 450 milhões. E em Portugal o número também tem vindo a ser crescente?

Em relação a Portugal não tenho números concretos, mas à semelhança das outras medicinas alternativas é unânime que a procura é cada vez maior. É um mercado em crescimento pela insatisfação de muitos doentes com a resposta que a medicina convencional dá às suas necessidades tanto em situações agudas como e especialmente nos casos crónicos. Julgo que ninguém gosta que lhe digam que tem de tomar 6 medicamentos diferentes para o resto da vida e passados uns anos o doente vir a saber que andou a tomar um medicamento para "baixar o colesterol" que agora está provado causar demência tomado a longo prazo, e este é apenas um exemplo.

Na Homeopatia, e de acordo com o seu livro, há uma intervenção "mental-emocional-físico". Pode explicar melhor este conceito?

Sim, olhamos sempre para o doente no seu global, ou seja, tratamos os sintomas físicos, como é o caso de uma gastrite, junto com os emocionais, o mesmo doente pode sofrer de ansiedade, e mentais, pode também ter falhas de memória em que constantemente tem de checar se fez ou não o que acabou de fazer, por exemplo. O Homeopata toma nota e analisa todas as queixas bem como as suas características e aparecimento no tempo e procura qual o medicamento que contém como indicações todos esses sintomas, tendo em conta também predisposições familiares, histórico pessoal, hábitos de vida, choques emocionais e outras características pessoais que possa achar úteis para completar o seu diagnóstico.

Considera que esta medicina alternativa é mal interpretada pela sociedade portuguesa?

Julgo que não é uma questão de interpretação mas sim deficiência de informação, por parte de quem deve saber informar e não o faz, e uma questão de formação ou, neste caso, falta dela, por parte dos profissionais de saúde que se dizem homeopatas sem ter formação adequada, o que também não surpreende num país em que até 2003 a prática da homeopatia não era sequer legal.

Por outro lado o próprio país no global não tem o culto da diferença nem do questionar, bem pelo contrário e em questões de saúde não é um país com tradição alternativa. Mesmo assim os doentes precisam de ajuda e procuram-na. Vejam-se dois bons exemplos aqui na Europa: a Suíça, onde a Homeopatia passou a ser comparticipada pelo Serviço Nacional de Saúde em 2007 e o Reino Unido bem antes, na década de 40.

A Cristina trabalhou 20 anos na indústria farmacêutica. O que a fez mudar para a Homeopatia? Sentiu algum descrédito pela medicina convencional?

Sim, absolutamente. O meu trabalho na área da saúde foi escolhido por vocação e a experiência que tive com o sistema convencional foi de constante e crescente desilusão. Comecei a usar Homeopatia há 25 anos atrás por causa do meu filho mais velho, tive mais dois filhos e nunca mais usámos medicamentos químicos.

Comecei a estudar Homeopatia em 2002 e nunca mais parei. A medicina convencional tem o seu lugar com certeza e é muitas vezes insubstituível - no caso de uma fratura, por ex.

Numa sociedade ideal, a Homeopatia teria um lugar muito importante só por si, ou em complementaridade, com a medicina convencional, pois o melhor para o doente deveria ser o nosso primeiro objetivo.

Como foi trabalhar com o Prof. Vithoulkas, Prémio Nobel Alternativo?

Foi uma inspiração! A primeira vez que o vi fazer consultas e o ouvi falar de saúde, doença, medicamentos homeopáticos e Homeopatia, em agosto de 2006, fez-me ter a certeza que estava no caminho certo e que era aquele nível que queria atingir na ciência da Homeopatia. É um homem quase com 90 anos e que passa todos os anos, de maio a setembro, a ensinar grupos de profissionais de saúde de todo o mundo, como se tratam doentes com Homeopatia. Visito-o todos os anos para fazer estes cursos de pós graduação e ouvi-lo ensinar, desde 2006.

O que espera com o seu livro, abrir mentalidades?

Quero explicar ao público em geral e aos profissionais de saúde interessados, o que é Homeopatia, o que podemos tratar, o que significa ter saúde e estar doente e a possibilidade que têm de ter uma ação mais proativa e preponderante na sua saúde e na dos seus filhos.

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