Existem vários tipos de dores de cabeça. A enxaqueca é uma das mais frequentes, contudo, é importante um correto diagnóstico uma vez que existem mais de 200 formas diferentes de enxaqueca. Associada à dor de cabeça pode estar a vertigem, o que se designa de enxaqueca vestibular. Fique a saber mais sobre esta doença crónica prevalente e o que deve fazer.

O que é a enxaqueca vestibular?

É uma espécie de enxaqueca que afeta o órgão do equilíbrio, ou seja, provoca crises recorrentes de vertigem e tonturas que podem vir acompanhadas ou não de dor de cabeça e náuseas. As crises duram desde minutos a dias, e agravam em determinadas posições e com movimentos. Normalmente a audição não sofre agravamento com estas crises.

São mais frequentes em períodos de stress, falta de descanso, e por vezes há alguns gatilhos como o chocolate, álcool, bebidas excitantes, mas também pode haver alguns alimentos específicos para cada pessoa. Evitando estes fatores podem as crises ficar mais espaçadas.

Muitas vezes os doentes referem também hipersensibilidade ao movimento, nomeadamente quando viajam de carro  - especialmente quando não estão a conduzir - ou em transportes públicos, e apresentam também dificuldade quando estão em ambientes com muitos estímulos visuais como shoppings, atividades em 3D, supermercados, etc.

Existem fatores de risco?

São mais comuns em pessoas que têm antecedentes de enxaqueca prévia, com fono e fotofobia, ou seja, aversão às luzes e barulhos intensos.  Frequentemente há antecedentes na família de problemas semelhantes ou de enxaqueca. Costuma ser mais frequente nas mulheres e pode acontecer em qualquer faixa etária.

Como se diagnostica?

Esta patologia é muito frequente e deve ser diagnosticada em consulta de vertigem. Nesta consulta diferenciada, o especialista irá avaliar de uma forma minuciosa o doente, onde para além de realizar um questionário clínico, pode recomendar a realização de alguns exames para complementar o diagnóstico e excluir outras causas.

Existe tratamento?

Sim, mas devemos distinguir o tratamento de crise do tratamento preventivo que deve ser dado quando há muitas crises por mês ou, sendo poucas, quando elas são muito intensas. Controlando também os fatores desencadeantes das crises como a ansiedade, falta de descanso e alguns alimentos da dieta, o doente pode ganhar qualidade de vida pois esta é uma patologia crónica e recorrente que pode limitar muito os que dela padecem.

A reabilitação vestibular ajudará também a melhorar o desequilíbrio e tonturas que persistem depois das crises, assim como diminuir a cinetose ou enjoo de movimento. O objetivo será dessensibilizar os doentes perante estímulos “normais” do nosso dia a dia, como andar de transporte público, frequentar um shopping, fazer vários movimentos ou ir ao supermercado, por exemplo.

Em conclusão, a enxaqueca vestibular é das patologias mais frequentes como causa de vertigem e um correto e precoce diagnóstico torna-se imperioso para evitar o sofrimento destes doentes.

Um artigo da médica Rosa Castillo, Coordenadora da Unidade de Vertigem do Hospital CUF Porto.

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