Seja porque nos serve nas expressões populares -“Maria vai com as outras” -, porque nos dá exemplo de algo que tarda em resolver-se - em banho-maria -, ou por referência à fé na mãe de Jesus; temos como certo que Maria é nome que colhe as afeições nacionais. Tome-se como exemplo o ano de 2019, período em que Portugal ganhou mais 5198 Marias. O nome preponderou nas escolhas dos novos pais. Isto, de acordo com dados do Instituto de Registos e Notariado.

Há décadas que uma Maria entrou nas casas portuguesas. A bolachinha de farinha de trigo, açúcar e gordura vegetal - entre outros ingredientes - que “vive” nas cozinhas, dentro da caixa das coisas doces e que nos ativa a ligação direta às memórias de infância. Das bolachas trincadas à revelia da autorização dos pais ou daquelas deliciosamente amolecidas, depois de mergulhadas no copo de leite morno.

De tal ordem nutrimos afeto pela bolacha Maria que a tomamos como nossa. Pelo nome e por estar tão enraizada nas nossas vidas, até mesmo nas sobremesas.

O verdadeiro bolo de bolacha
O verdadeiro bolo de bolacha
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Contudo, esta Maria não é criação portuguesa, nem tão pouco do século XX. Maria, a bolacha, nasceu corria o ano de 1874, do outro lado do Canal da Mancha, em Inglaterra. A padaria Peek Freans (ainda hoje existente), comemorou o casamento da grã-duquesa Maria Alexandrovna da Rússia com o Duque de Edimburgo, criando uma bolacha ornamentada, mas de gosto popular.

A bolacha Maria nascia no tempo certo, na época em que o mundo conhecia a industrialização e a vontade de chegar a um número maior de consumidores. Acresce que a bolachinha, leve e fina, contrariava as características das congéneres daquele último quarto de século XIX. Estas eram rijas e associadas às rações que seguiam nas longas viagens marítimas. 

Não foi, por isso, difícil a esta Maria a internacionalização, para mais à boleia de uma Inglaterra que preponderava como potência global.

No caso de Espanha, e já no século XX, a nova bolacha chegou a ser usada na esfera política, como símbolo da prosperidade económica do país. Isto porque produzida com excedentes de trigo, numa época em que grassava a Guerra Civil.

Em abono da verdade, Maria ou, mais concretamente a bolacha tipo Maria, é uma adoção mundial. Produz-se em perto de 50 países, entre eles, Portugal, México, Austrália, Brasil, Índia, Turquia, África do Sul, Ucrânia, Singapura e Espanha. Nem todos chamam a nossa Maria pelo mesmo nome. Os húngaros produzem a Berta que, na Turquia, tem o nome de Gorona. Já os ucranianos, chamam pela Switoch Maria e os mexicanos pelas Cookies Marias. Por seu turno, a Índia é o maior produtor mundial deste tipo de bolacha.

Os portugueses, na sua inventiva, não se ficaram pela bolacha para consumo à unidade. Inventaram-lhe inúmeras sobremesas, do Bolo de Bolacha, ao Salame de Chocolate, para citar dois clássicos, que sofreram adaptações de congéneres internacionais.

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