1. É vegetariana

Apesar de já ter experimentado diversas dietas, há vários anos que adotou uma alimentação vegetariana, rica em frutas e vegetais. "Acredito que a carne me faz mal - não como. Também é mau para os animais. Mas se existisse um movimento para produzir mais comida biológica e menos comida horrível, então a comida biológica teria um preço justo, não era?", disse em 2014 em entrevista ao jornal The Independent.

Em 2014 deu a cara pela PETA - a famosa organização de defesa dos direitos dos animais - de forma a alertar para a quantidade de água utilizada na produção de carne. "Ao evitar o consumo de carne, fazemos mais pelo ambiente do que reciclar ou conduzir um carro híbrido", afirmou no vídeo promocional.

2. A sua loja de roupa mudou de nome ao longo dos anos

Juntamente com Malcolm McLaren abriu, em 1971, a sua primeira loja de roupa batizada de Let It Rock. Ao longo dos anos o espaço mudou de nome quatro vezes: Too Fast to Live, Too Young to Die (1972), Sex (1974) e Seditionaries (1976) como forma de acompanhar os diversos estilos de roupa comercializados e idealizados pela dupla que foi buscar inspiração às prostitutas, aos bikers e aos fetichistas.

“Sempre pude testar as minhas ideias vendendo-as de forma direta. Atualmente a minha empresa tem a mesma identidade. Nunca tive empresários a dizerem-me o que fazer. […] [A loja] Permitiu-me trabalhar de uma forma sem sentir que estivesse sob pressão, onde podia desenvolver as minhas ideias e a minha técnica”, disse em entrevista ao SHOWstudio em abril de 2004 sobre o número 430 da King's Road que continua de portas abertas e que desde 1980 dá pelo nome de Worlds End.

3. Nunca sonhou trabalhar em moda

Pode parecer chocante mas Vivienne Westwood nunca teve a ambição de se tornar designer ou seguir uma carreira no mundo da moda. “Sempre consegui criar coisas. Acho que aos 5 anos podia ter criado um par de sapatos”, disse em entrevista ao jornal The New York Times em 2009 sobre as suas capacidades e potencial criativo. “Conseguia fazer um vestido com 90 centímetros de tecido.” Esse talento permitiu-lhe criar grande parte do seu guarda-roupa durante a adolescência, sendo que a única coisa que comprava eram sapatos.

Começou a criar roupa após conhecer Malcolm McLaren, manager dos Sex Pistols, sendo responsável por criar os looks daquela que é uma das bandas punk rock mais icónicas de sempre. “Faço-o há cerca de 35 anos e acho que só nos últimos 15/20 é que comecei a gostar disto. Na altura não o queria fazer. Fi-lo porque conseguia”, disse.

4. Os piratas serviram de inspiração para a sua primeira coleção

Incentivada por Malcolm McLaren decidiu lançar-se em nome próprio e criar a sua primeira coleção de roupa batizada de Pirates. “Ele teve a ideia de ‘vamos pilhar o mundo’ e foi assim que a roupa de pirata surgiu, que iríamos buscar a nossas ideias à História e ao Terceiro Mundo”, revelou à revista i-D em junho 2016 sobre esta época da sua vida. Esta coleção foi um ponto de viragem na vida de estilista e serviu para “provar que o passado é tão relevante hoje como quando foi criado, as ideias continuam tão relevantes como quando foram criadas – e provei isso ao copiar roupas históricas. Nenhum designer tinha feito isso antes, tinham-se inspirado em roupas históricas, mas eu copiei-as”, disse em entrevista à revista L’Officiel em março de 2018 sobre a coleção outono/inverno 1981/82.

Entre as suas coleções mais icónicas está a mini-crini que gerou uma "mudança crucial" nos seus designs. A coleção, lançada na primavera/verão 1985, destacou-se pelas "roupas justas", "alfaiataria inglesa", "desejo de acabar com as grandes ombreiras dos anos 1980" e "gerar atenção para as ancas", refere o seu site oficial.

 5. É uma ativista que pretende mudar o mundo através da moda

Vivienne Westwood sempre quis ser mais do que uma simples designer de moda, utilizando os seus desfiles para passar uma mensagem política e criar sensibilizar o público sobre temas que considera importantes. Duas das suas grandes causas são as alterações climáticas e os direitos humanos, tendo feito diversos protestos contra a extradição de Julian Assange e o uso de fracking (técnica utilizada para extrair combustíveis do solo). Enquanto embaixadora da Greenpeace, lançou uma coleção de t-shirts cujos lucros revertiam para salvar o ártico.

"Sou mais feliz agora do que era há uns anos atrás porque a minha profissão me deu a oportunidade de falar em coisas que acho que são mesmo importantes. Acho que tudo está a encaminhar-se para que as minhas criações me ajudem naquilo que quero dizer e vice-versa. A minha única preocupação, é que não esteja a comunicá-lo de forma correta às pessoas porque estou muito ciente da necessidade urgente de tentar que se faça alguma coisa sobre as alteraçoes climáticas" explicou à revista Interview em julho de 2012 sobre o seu ativismo.

6. Tem o curso de professora primária

Aos 17 anos mudou-se com a família da vila de Tintwistle para Harrow, em Londres. Frequentou a Harrow School of Art, onde estudou moda e ourivesaria, mas desistiu após um semestre. Destinada a explorar o seu lado mais artístico, matriculou-se num curso de formação de professores e após receber o seu diploma conseguiu o seu primeiro trabalho como professora numa escola primária. Durante este período costumava vender bijuteria feita por si numa banca no mercado de Portobello.

“Às vezes penso que seria muito bom viver uma vida normal, ler livros e estar com os amigos, porque não tenho muito tempo para isso. […] Mas sempre gravitei para situações onde poderia aprender. E não sei o que teria significado se tivesse sido professora no Norte. Tenho a certeza de que a esta altura já era pelo menos diretora… [risos] Ou que estaria a trabalhar com o sindicato dos estudantes ou professores. Ou que teria escrito um livro ou feito algo ligado à educação”, revelou à revista Interview em julho de 2012 sobre aquele que poderia ter sido o seu futuro se não tivesse mudado de cidade.

7. Tem dois filhos

Ben Westwood é o filho mais velho da estilista e fruto da sua relação com Derek Westwood com quem esteve casada entre 1962-1965. Após ter trabalhado grande parte da sua vida como fotógrafo erótico, em 2009 lançou a sua primeira coleção de roupa durante a Semana da Moda de Londres. Mantém uma grande ligação com a mãe que descreve como “uma grande inspiração” na sua vida. “Sempre manteve as suas convicções e fez o seu caminho, nunca cedeu e incutiu isso no Joe e em mim. É muito intensa. E também um pouco malandra” disse ao jornal The Independent em abril de 2009 sobre a progenitora.

Da sua relação com Malcolm McLaren nasceu Joseph Corré que seguiu os passos da mãe ao tornar-se ativista ambiental e trabalhar com moda. Ao longo dos anos apostou em diversos negócios: foi co-fundador da marca de lingerie Agent Provocateur e em 2008 lançou a sua própria marca, A Child of the Jago. Na sua loja, localizada no West End, o empresário de 53 anos comercializa fatos e roupa feita à medida reaproveitando e reutilizando sobras de tecidos de antigas fábricas e dando-lhes uma nova vida.

8. Conheceu o atual marido quando ainda era sua professora

Foi em 1988, época em que estava a leccionar Fashion Design na University of Applied Arts em Vienna, que Vivienne Westwood conheceu aquele que viria a ser o futuro marido: Andreas Kronthaler. "Estava a dar aulas em Vienna, o Andreas era meu pupilo e reconheci que, enquanto designer, ele era fora de série", disse sobre o seu talento em entrevista à L’Officiel em março de 2018. Após convidar o jovem para trabalhar consigo em Londres, o casal acabou por se apaixonar e casar em 1993. Como forma de homenagear o trabalho do marido, com quem tem trabalhado em dupla ao longo dos últimos 30 anos, em 2016 decidiu rebatizar a linha Gold Label, passando a chamar-se Andreas Kronthaler for Vivienne Westwood.

9. É contra o fast fashion e a sociedade de consumo

Vivienne Westwood tem sido bastante direta sobre a indústria fast fashion, explicando que é importante que o consumidor seja mais conscientes nas escolhas que faz e nas marcas que investe. “Gasta aquilo que puderes numa coisa que gostes mesmo, mesmo que não esteja na moda e custe apenas 5 libras. Tem a certeza de que é algo que gostas e que queiras usar e que não seja algo descartável”, disse ao programa de youtube The Stupid Show em 2009.

Esta consciencialização estende-se à sua marca Vivienne Westwood que é contra o desperdício e que tem feito bastante a este respeito: para além de otimizar o corte do tecidos utilizados, faz a reutilização de sobras de tecidos nas suas criações e comprometeu-se a reduzir o tamanho das suas coleções. “Quero tentar tornar o mundo num lugar melhor. Daí estar a tentar transformar a minha empresa num modelo a seguir, um que seja bom para o futuro. É sobre a qualidade do design, em vez de coisas que vão parar ao lixo. E o meu slogan é Buy less, choose well, make it last. E é isso que tenho tentado fazer” disse em outubro de 2016 durante o segmento The CNBC Conversation.

10. Criou o símbolo anarquista

“Fui eu que inventei o símbolo anarquista. Esse era o meu símbolo. Eu pensava ‘Não precisamos destas pessoas antiquadas horríveis a liderar o mundo'”, revelou em 2009 numa entrevista ao The New York Times. Outra das suas criações mais célebres – idealizadas juntamente com Jamie Reid e Malcolm McLaren - está a icónica t-shirt ‘God Save The Queen’: onde Sua Majestade aparece com um alfinete na boca e duas suásticas nos olhos.

11. Foi condecorada com o título de Dama

Apesar de admitir publicamente que não dá grande valor ao prémios e galardões, Vivienne Westwood já recebeu duas distinções da rainha Isabel II. Em 1992 recebeu a Ordem do Império Britâncio (OBE) devido ao trabalho que desenvolveu na indústria da moda e nas artes e em 2006 foi-lhe atribuído o título de Dama.

Para além disso, o painel de jurados do Prince Philip Designers Prize, que desde 1959 premeia um designer britânico pelo trabalho desenvolvido na área da moda, decidiu atribuir-lhe uma comenda especial em 2010.

12. Desenhou o vestido de noiva usado por Sarah Jessica Parker no filme O Sexo e a Cidade

O vestido escolhido por Carrie Bradshaw para subir ao altar com Mr. Big no filme O Sexo e a Cidade (2008) - e que fez suspirar as fãs da série americana - foi criado por Vivienne Westwood em 2007 para a antiga linha Gold Label.

"O corpete foi feito num cetim de seda marfim e a saia feita a partir de metros de tafetá de seda Radzimir marfim, criando uma silhueta exagerada, cintura justa e um busto escultural pontiagudo", escreveu a revista Harpers Bazaar em maio de 2018 sobre a criação de moda cujo design acabou por ser ajustado especialmente para a personagem interpretada por Sarah Jessica Parker.

13. Dedicou uma das suas coleções ao príncipe Carlos

Após apresentar as suas propostas para o outono/inverno 2015/16, Vivienne Westwood subiu à passerelle para agradecer ao público surgindo com uma t-shirt estampada com a cara do príncipe Carlos. Adotando-o como patrono da sua coleção, a estilista quis homenagear o trabalho ambiental que o príncipe herdeiro tem desenvolvido ao longo dos anos.

“Todas as suas instituições de caridade fizeram a diferença, […] São muito práticas, construíram comunidades, apoiam pessoas. Todas as suas instituições atuam de uma forma muito humana. Teríamos um mundo melhor se tivesse estado no trono durante este tempo todo” disse na altura à AFP sobre o filho mais velho da rainha Isabel II.

14. Levou o punk até à Gala do Met

Em 2013 o Metropolitan Museum of Art dedicou a exposição e gala desse ano ao tema Punk: Chaos to Couture. Para a ocasião, a atriz Lily Cole usou uma criação assinada por Vivienne Westwood e Andreas Kronthaler: um vestido feito em borracha selvagem da Amazónia.

15. Rejeitou o documentário que foi feito sobre a sua vida

Em março de 2018 estreou o documentário Westwood: Punk, Icon, Activist dirigido por Lorna Tucker. Apesar de o objetivo ter sido documentar as diversas facetas de Westwood - que deu à realizadora total acesso à sua vida durante dois anos -, o resultado não agradou à estilista e à sua família.

Ben Westwood lamentou o sucedido, tecendo duras críticas ao ângulo escolhido por Tucker dizendo, em comunicado à revista Dazed, que esta “escolheu focar-se no que não era importante. Escolheu descartar a verdadeira história. Para além de não ilustrar o ponto de vista da Vivienne sobre o mundo ou seu trabalho ambiental, o filme não também não mostra as suas criações de moda de forma correta.”

16. A sua opinião sobre o look e movimento punk

“Decidimos que a fase dos hippies tinha terminado. Nós não gostávamos da geração mais velha, era demasiado quadrada. [...] E foi aí que começámos e procuramos outros motivos de rebelião. Interessamo-nos por borracha e cabedal, pelos roqueiros. Adorávamos borracha porque era algo sexual, e a sociedade morria de medo de borracha e sexo. E isso foi uma forma de rebelião. Juntamos isso tudo e, no fim de contas, o que eu queria era juntar estes temas – roupas rasgadas, correntes, fechos, botas de motard, look hells angels – e criamos uma coleção nossa: o punk rock”, disse em 2006 ao segmento The CNBC Conversation sobre o movimento que ficará eternamente ligado ao seu nome.

Após o fim dos Sex Pistols e o punk se ter tornado mainstream, Vivienne Westwood decidiu seguir numa direção completamente diferente nas suas coleções, dando, em 1983, por terminada a sua parceria profissional com Malcolm McLaren. “Para mim foi uma oportunidade de marketing e aborreci-me quando me apercebi que os punks só tinham interesse em andar aos saltos e a cuspir e a divertirem-se. […] Não ia mudar nada.”

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