Arad Winwin, à semelhança de muitos dos seus compatriotas, nunca foi feliz no país onde nasceu. «As pessoas, no Irão, tentam apenas sobreviver no dia a dia», desabafa. Era soldado quando, aos 22 anos, com o passaporte apreendido, resolveu arriscar tudo e fugir do país. «Eu sabia que nunca poderia ter lá o tipo de vida que me faria feliz», confidencia hoje. Depois de atravessar uma zona montanhosa e fria, com os cumes cobertos de neve, chegou à Turquia.

Intercetado, foi preso. Esteve encarcerado durante seis meses, sem falar uma única palavra de turco. «Foi horrível», diz. As autoridades locais preparavam-se para o deportar para o país de origem, o seu maior pesadelo. «Mal lá chegasse, seria enforcado, por ser um desertor militar», afirma. Na prisão, onde estavam outros iranianos, ouviu falar no programa de refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU).

Contactou os pais e pediu-lhes para contratarem um advogado que o ajudasse. Teve sorte. «Fui aceite porque na ONU perceberam que seria morto se voltasse ao Irão», refere. Chegou a Dallas sem falar inglês e com apenas 300 dólares, cerca de 275 euros, no bolso. Arranjou trabalho numa empresa de elevadores mas, pouco depois, já trabalhava como go-go dancer num clube noturno.

«Na primeira noite faturei mais do que muitas pessoas ganham no Irão em quatro meses», regozija-se. Pouco depois, seria convidado pelo designer de moda Andrew Christian a integrar o grupo de modelos com que habitualmente trabalha, os Trophy Boys. «Sempre quis ser modelo mas, lá, tal seria impossível», assegura. «Se não seguires as rígidas leis religiosas, és preso», refere o manequim, também ator de filmes pornográficos.

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