Tisci deixou a Givenchy para assumir a sucessão de Christopher Bailey na Burberry em março de 2018, com a missão de dar novo impulso à casa, fundada em 1856, e aproximá-la dos millenials, as pessoas nascidos entre 1980 e 2000.

O estilista italiano, de 45 anos, parece ter encontrado o equilíbrio um ano depois do seu primeiro desfile na Semana da Moda de Londres.

"Na primeira temporada, praticava as letras, o alfabeto; na segunda, começava a escrever, e nesta temporada, tenho a impressão de escrever um livro - bom ou mau - sobre o que faço na Burberry", contou Riccardo Tisci à AFP nos bastidores do seu show.

Para este desfile, um dos mais aguardados da Semana da Moda de Londres para a primavera-verão 2020, a Burberry ocupou o Troubadour White City Theatre, uma casa de espetáculos no oeste da capital britânica. No centro da sala foram instalados grandes rectângulos de vidro, com enormes alti-falantes brancos.

A coleção, batizada "Evolution", inspirou-se na era vitoriana, quando a marca surgiu, com formas ajustadas na cintura e mangas elaboradas.

O famoso trench cor caqui, marca registada da casa britânica, aparece revisitado: em estilo levita, curto à frente e longo atrás; com saia falsa ou forrado em seda.

Para elas, a marca apresentou vestidos de renda com mangas exageradamente amplas e camisas com mangas abertas na parte da frente ou com acabamento de plumas.

Para eles, fatos ingleses em tons de azul acinzentado ou areia, ajustados com cintos, além de parkas, conjuntos de calça e casaco com capuz e camisas de rugby com remendos.

No que diz respeito às cores, a Burberry manteve-se na paleta mais clássica, com cinzas, pretos, beges, brancos e tons de ocre, rosa, vermelho e azul.

"Queremos permanecer no segmento de luxo, mas sem esquecer as ruas", disse o estilista, citando a sua própria trajetória. "Venho de um mundo simples e não me quero esquecer de ninguém".

O mais novo de uma família de nove filhos - dos quais foi o único menino -, Riccardo Tisci perdeu o pai com apenas 4 anos e aos 17 foi para Londres, onde estudou na prestigiada escola de moda Central Saint Martins.

Para ele, a "geração jovem" procura peças com uma "identidade forte" e que sejam acessíveis. "Querem moda, preços e produtos que durem muito tempo", diz o estilista.

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