Foi em janeiro que, para além do Código de Responsabilidade Ética, a Condé Nast anunciou a adoção de um novo código de conduta global - Condé Nast Code of Conduct: No Harassment or Discrimination – onde constavam uma série de normas para todas as sessões fotográficas. Uma delas proibia todas as suas publicações de contratar modelos com menos de 18 anos para os seus editoriais de moda.

Na altura, Anna Wintour, editor-in-chief da Vogue e diretora artística da Condé Nast, detalhou nas páginas da revista as novas cláusulas aplicadas, com efeito imediato, em todas as publicações do grupo, como é o caso da Vogue, Teen Vogue, Glamour, GQ e Vanity Fair.

Desde janeiro que todos os modelos contratados para sessões fotográficas devem ter pelo menos 18 anos (exceto casos em que o modelo seja alvo de um perfil, notícia ou conteúdo semelhante num dos títulos do grupo, devendo ter acompanhamento e styling apropriado). Para além disso é ainda proibido o consumo de álcool e drogas nos sets da Condé Nast, sendo que estes espaços só podem ser utilizados por fotógrafos cujos trabalhos tenham sido aprovados ou contratados pela empresa.

Todas sessões fotográficas que envolvam nudez, roupas transparentes, lingerie, swimwear, poses sugestivas ou que simulem a ingestão de drogas e álcool devem ser ainda alvo de pré-aprovação e discutidas por todas as partes envolvidas. Foi ainda colocado à disposição de todos os envolvidos na sessão fotográfica um vestiário privado.

Sete meses após a aprovação, publicação e implementação destas cláusulas, o assunto volta a ser alvo de debate num artigo publicado no site da Vogue a poucos dias do lançamento da edição de setembro da Vogue intitulado “Why the Fashion World Needs to Commit to an 18+ Modeling Standard” (A razão pela qual o mundo da moda precisa de se comprometer com o padrão de modelos com mais de 18 anos) e onde a revista começa por questionar até que ponto é possível mudar a indústria da moda e que outras empresas avancem com a implementação de códigos de conduta que protejam uma nova geração de jovens modelos. Ao que parece não está sozinha nesta luta.

2006: A Semana da Moda de Madrid proíbe que sejam contratados modelos com um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior 18. Segundo a BBC, esta foi uma forma de acabar com as modelos excessivamente magras nas passerelles.

2007: O British Fashion Council (BFC) estipula que todos os modelos contratados para a Semana da Moda de Londres devem ter pelo menos 16 anos.

2012: A Condé Nast Internacional emite um comunicado a proibir a magreza extrema e a contratação de modelos com menos de 16 anos. Ou seja, de acordo com a BBC, os editores das diversas edições da revista Vogue comprometem-se a não trabalhar com modelos que aparentassem sofrer distúrbios alimentares. No mesmo ano The Council of Fashion Designers of America (CFDA) definiu que todos os modelos contratados para desfilar na Semana da Moda de Nova Iorque deviam ter a idade mínima de 16 anos.

2017: De acordo com o site The Fashion Law, os grupos de luxo franceses Kering e LVMH comprometeram-se a trabalhar apenas com modelos saudáveis mediante a apresentação de um atestado médico, a banir os tamanhos 32 (feminino) e 42 (masculino) e a não contratar modelos com menos de 16 anos.

A The Council of Fashion Designers of America (CFDA), que no passado já tinha impedido modelos com menos de 16 anos de desfilar nas semanas da moda, aplaudiu a medida implementada pela Condé Nast e revelou que vai seguir o mesmo caminho.

“Os jovens aspirantes a modelos estão em crescimento. Nesta idade pode existir uma falta de confiança, força, experiência e maturidade necessárias para lidar com a pressão deste trabalho. A CFDA apoia as recomendações no sentido de aumentar a idade mínima – queremos que estes modelos tenham tempo para crescer e sentirem-se seguros e em controlo no local de trabalho”, referiu o CEO e presidente da CFDA, Steven Kolb.

O artigo revela também que as agências de modelos DNA Models e The Society Managment – responsáveis por agenciar modelos de renome como Linda Evangelista, Adriana Lima, Kendall Jenner, Natalia Vodianova ou Emily Ratajkowski – também vão seguir-lhe os passos.

A Model Alliance, uma empresa cuja missão é promover o tratamento justo, as mesmas oportunidades e práticas sustentáveis na indústria da moda, é a próxima a juntar-se ao movimento que se espera que seja seguido por outras agências de modelos, designers e diretores de casting.

“Precisamos de injetar consciência laboral no mundo da moda. Os modelos não são as pessoas em que pensamos quando se fala em direitos dos trabalhadores, mas a verdade é que estão a desempenhar um trabalho e merecem ser tratados de forma justa – tal como qualquer pessoa que trabalha”, refere Sara Ziff, fundadora do projeto.

Recorde-se que no ano passado o mundo da moda, à semelhança da indústria cinematográfica, foi abalado por diversos escândalos sexuais denunciados graças à força do movimento #MeToo. Terry Richardson, Mario Testino e Bruce Weber – três reconhecidos fotógrafos de moda acusados – foram os primeiros a sentirem na pele as consequências, ao verem cessados temporariamente os seus laços profissionais com o grupo.

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